Malásia: introdução e dicas de viagem

Malásia: introdução e dicas de viagem

Em 2015, quando vim para a Ásia pela primeira vez (durante nossa viagem de 7 meses), nosso roteiro tinha sido: Mongólia, China, Vietnã, Camboja, Tailândia, Malásia e, por último, Singapura.

Quando entramos na Malásia, senti logo de cara uma diferença gritante dos demais lugares, principalmente por dois motivos: o primeiro é que, diferente destes países que citei agora, que são budistas em sua grande maioria, na Malásia a religião predominante é o islamismo; e o segundo motivo é que a população da Malásia é composta por 3 principais etnias: os próprios malaios, os chineses e os indianos, então, em comparação com seus países vizinhos, a Malásia tem uma diversidade cultural muito maior.

Bandeira nacional
Bandeira nacional
Indianas e muçulmanas em templo hindu - Batu Caves.
Indianas e muçulmanas em templo hindu – Batu Caves

Com a diversidade cultura, vem a diversidade de comidas! E essa é uma das melhores partes de se viajar na Malásia! Num mesmo dia, você pode comer dim sum (culinária chinesa) de café da manhã, nasi lemak (arroz cozido no leite de coco – culinária malaia) no almoço, e masala thosai (tipo de crepe recheado de batata – culinária indiana) na janta – e o melhor: tudo isso preparado pelo povo local, autêntico!

Bah Kuh Teh, sopa de carne de porco. Uma especialidade da culinária chinesa-malaia
Bah Kuh Teh, sopa de carne de porco. Uma especialidade da culinária chinesa-malaia

A diversidade pode ser percebida também na religião: enquanto os malaios são muçulmanos, os chineses são budistas ou cristãos, e os indianos são hindus. Caminhando por qualquer cidade malaia, é possível ver, em um pequeno espaço, mesquitas, templos chineses e templos hindus, com todos convivendo pacificamente.

Apesar de todos se darem bem, o que posso perceber morando aqui é que as etnias não se misturam muito. Existem escolas malaias, onde o ensino é voltado para os ensinamentos do Islã; escolas chinesas, onde as crianças aprendem a ler e escrever em chinês; escolas indianas, onde aprendem a ler e escrever em tâmil; e, finalmente, escolas internacionais, em que as aulas são ministradas em inglês, e atendem a alunos locais e estrangeiros.

Igreja em Malaca
Igreja em Malaca

Além das três etnias principais, há muitos imigrantes e expatriados de todos os cantos do mundo vivendo na Malásia, e a maioria deles vem de outros países asiáticos e do Oriente Médio. Por conta disso, também é muito fácil comer as autênticas culinárias árabe, tailandesa, vietnamita, entre muitas outras!

A diversidade da Malásia, na minha opinião, é o que a torna especial. Ela não tem praias tão lindas como as da Tailândia, nem templos milenares como Camboja e Indonésia, e sua cidade principal (Kuala Lumpur) não é tão rica e grandiosa como Singapura. Em contrapartida, a Malásia conquista os turistas pela variedade – seja de comidas, culturas, belezas naturais, cidades históricas, enfim, uma infinidade de experiências diferentes e únicas!

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A Malásia faz parte do Sudeste Asiático, juntamente da Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos, Mianmar, Singapura, Indonésia, Filipinas, Brunei e Timor-Leste.

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Ela é formada por duas partes: a que fica no continente, logo abaixo da Tailândia, chamada de Peninsular Malaysia; e a parte que fica na ilha de Bornéu (à direita no mapa), chamada de East Malaysia. Somando as duas partes, a área total é de 329, 758 km² (um pouco menor que o estado do Mato Grosso).

A cidade mais importante da Peninsular Malaysia é a capital do país, Kuala Lumpur (KL). E a cidade mais importante da East Malaysia é Kota Kinabalu (KK).

A Malásia Ocidental (Peninsular) é mais populosa e desenvolvida, enquanto a Malásia Oriental (do leste) possui um território maior e mais belezas naturais. Por isso, para quem busca cidades grandes, shoppings, centros históricos, museus etc., a Peninsular Malaysia é o destino ideal. Já se o foco é natureza, montanhas, praias, ilhas, florestas e animais selvagens, East Malaysia é a melhor opção.

Manukan Island, Sabah
Manukan Island, Sabah

Um dado curioso é que os dois estados da Malásia Oriental, Sabah e Sarawak, têm seu próprio controle de imigração. Isso significa que, vindo de Kuala Lumpur (ou qualquer outra cidade da Malásia Ocidental), é preciso mostrar o passaporte ao entrar na East Malaysia, inclusive entre os dois estados. Até mesmo os cidadãos malaios precisam passar pela imigração! Nós gostamos disso, porque ganhamos carimbo a mais, rs.

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A variação da temperatura e a época de chuvas mudam de região a região, mas no geral é quente e úmido o ano todo, e a temperatura fica entre os 25 e 35°C – nestes 4 meses que estamos aqui a única vez que precisei usar casaco e calça foi para enfrentar o ar condicionado do cinema, rs.

A temporada de chuvas apenas causa problemas na parte leste da Peninsular Malaysia, e ilhas como Redang, Perhentian e Tioman chegam a “fechar” (barcos e ferries deixam de levar turistas até elas) entre novembro e fevereiro. As ilhas do lado oeste (Penang, Langkawi etc.) e da East Malaysia não tem tanta ocorrência de chuvas a ponto de precisarem fechar.

Praia Cenang em Langkawi
Praia Cenang em Langkawi

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Aproximadamente 30 milhões de habitantes, sendo 50.4% malaios, 23.7% chineses, 7.1% indianos e o restante de outros grupos étnicos. Curiosidade: Malay é o nome dado ao povo nativo da Malásia, e Malaysian designa todas as pessoas nascidas na Malásia. Os chineses e indianos, portanto, são malaysian, mas não malay.

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O malaio (Bahasa Melayu) é a língua oficial do país, mas como a Malásia foi colonizada pelos britânicos, o inglês também é falado por grande parte da população. Além do malaio e do inglês, os malaios-chineses falam dialetos do mandarim e os malaios-indianos falam tâmil ou outros idiomas da Índia.

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A palavra para “porta” e “portão” é sempre engraçada de ler e escutar, hahaha

Detalhe: também por causa da colonização britânica, os malaios dirigem na mão inglesa e o sistema de governo é uma monarquia eletiva constitucional, em que o chefe de Estado é o rei e o chefe de governo é o primeiro-ministro.

Putrajaya é o centro administrativo do país.
Putrajaya é o centro administrativo do país

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O islamismo é a religião oficial, praticado por 61.3% da população; em seguida vem o budismo (19.8%), o cristianismo (9.2%) e o hinduísmo (6.3%). As religiões coexistem pacificamente e em uma mesma região de qualquer cidade malaia é possível encontrar templos hindus, igrejas, templos budistas e mesquitas.

Templo hindu - Penang.
Templo hindu em Penang
Templo chinês em Georgetown
Templo chinês em Georgetown, Penang
Mesquita em Georgetown, Penang
Mesquita em Georgetown, Penang

Como o islamismo é a religião oficial da Malásia, ele acaba influenciando não apenas a rotina daqueles que o seguem, mas de todos que moram no país. Alguns exemplos: pelo fato de os muçulmanos não poderem ingerir carne de porco e álcool, os restaurantes e mercados devem ser halal (um “selo” de garantia de que o local é próprio para os muçulmanos frequentarem); quando há carne de porco à venda em supermercados, ela deve ser paga à parte, em um caixa separado, geralmente longe dos caixas “normais”; cinco vezes ao dia escuta-se o call to prayer (chamado para a reza), sendo que o primeiro é às 5 e pouco da manhã (e volta e meia nos acorda, pois há uma mesquita ao lado do nosso prédio); beijos e abraços entre casais não são bem-vistos e inclusive há placas em trens proibindo “comportamento indecente”; e roupas provocativas também não são consideradas apropriadas.

Placa com o que é proibido dentro dos trens
Placa com o que é proibido dentro dos trens. Lê-se abaixo do sinal com o casal: “Indecent Behavior”

Falando em roupas, a maior parte das muçulmanas malaias cobre os cabelos e o pescoço com um lenço, usam blusas que cobrem os braços, e saias, vestidos ou calças que cobrem toda a perna. Diferente das muçulmanas árabes que geralmente vestem preto, as malaias usam roupas e lenços coloridos e estampados. Enquanto isso, as indianas e chinesas usam roupas iguais às nossas (mas nada muito justo ou decotado).

Então, levando em consideração que mais de 40% da população de Kuala Lumpur é de origem chinesa, as mulheres ocidentais que vêm para cá não precisam se preocupar com o que vestir, afinal, não somos as únicas usando vestidos, shorts, saias, blusas de alça etc.

KLCC Park, Kuala Lumpur
KLCC Park, Kuala Lumpur
Merdeka Square, Kuala Lumpur
Merdeka Square, Kuala Lumpur
Jantando com os amigos malaios :)
Jantando com os amigos malaios 🙂

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Já falei um pouco sobre esse tema no começo deste post, e, para conhecer os pratos e sobremesas típicas da Malásia, confira este outro post.

Satay, espetinhos acompanhados de molho de amendoim. Prato típico da cozinha malaia
Satay, espetinhos acompanhados de molho de amendoim. Prato típico da cozinha malaia

Uma curiosidade: os malaios e indianos (chineses não) têm o costume de comer com a mão (direita! a esquerda não pode, ela serve para outra coisa… rs), e para quem gosta de comer até pizza e hambúrguer com garfo e faca (eu), esse costume parece um tanto primitivo, mas é a cultura deles e isso não significa que os estrangeiros têm que fazer igual.

Além disso, em locais mais internacionais, como shoppings, as pessoas usam talheres mesmo, mas não garfo e faca, e sim garfo e colher. Só é possível encontrar facas em restaurantes ocidentais. A colher (na mão direita) é para comer arroz e tomar sopas, caldos etc., e o garfo (mão esquerda) serve para o resto. E como corta a carne? Não corta. A carne nos pratos geralmente já vem em tamanhos pequenos, e no caso de frango com osso, só com a mão mesmo.

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A moeda oficial da Malásia se chama ringgit (abreviado como RM), e a conversão para o real (hoje – dia 28/10/2016) está de 1 ringgit = 0.75 reais. Para fazer ter uma noção dos valores, é só pensar que em real as coisas sempre custam um pouquinho menos; fazer a conta de fato é muito complicado, haha.

E quanto custa viajar na Malásia? Muito barato! Não tão barato quanto o Vietnã (é impossível superar o Vietnã, rs), mas muuuuito mais em conta que Singapura. Sugiro ler meu outro post com os custos exatos de alimentação, transporte e hospedagem.

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O maior aeroporto internacional do país é o KLIA 1, em Kuala Lumpur. Ao lado dele há o KLIA 2, que também é um aeroporto internacional, mas só opera voos da Air Asia, a maior companhia aérea low cost da Ásia. Para saber como ir do KLIA 1 ou KLIA 2 ao centro de KL, leia este post.

É possível chegar à Malásia por terra, de trens ou ônibus, vindo de Singapura e da Tailândia.

Trem de Kuala Lumpur a Singapura
Trem de Kuala Lumpur a Singapura

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Entre ilhas como Penang e Langkawi, é possível viajar de ferry. E no continente as opções são trens e ônibus.

As linhas de trem não cobrem o país inteiro, as passagens tendem a esgotar facilmente e são mais caras que as de ônibus. Por conta disso, viajar de ônibus é a opção mais barata, além de ser confortável, pois as estradas da Malásia são boas (as da Malásia Oriental não muito… rs).

O jeito mais fácil, contudo, é de avião! A Air Asia voa para as seguintes cidades da Malásia: Alor Setar (AOR), Bintulu (BTU), Johor Bahru (JHB), Kota Bharu (KBR), Kota Kinabalu (BKI), Kuala Terengganu (TGG), Kuching (KCH), Labuan (LBU), Langkawi (LGK), Miri (MYY), Penang (PEN), Sandakan (SDK), Sibu (SBW) e Tawau (TWU).

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1. A capital Kuala Lumpur, onde estão as famosas Petronas Towers;

Petronas Towers, Kuala Lumpur.

2. A charmosa e histórica ilha de Penang;

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3. Langkawi, onde estão as melhores praias do oeste da Malásia;

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4. Malaca, a cidadezinha portuguesa-chinesa a 1 hora de Kuala Lumpur;

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5. A Malásia Oriental e suas muitas belezas naturais;

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6. Ilhas do leste da Malásia Peninsular, como Tioman, Redang e Pehrenthian.

Foto: travels.kilroy.net
Foto: travels.kilroy.net

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Como esses lugares que eu mencionei acima ficam distantes uns dos outros, é difícil em uma viagem só conhecer todos eles. O que a maioria dos turistas faz, no entanto, é se concentrar em uma parte, que geralmente é o lado oeste da Malásia Peninsular, ou seja, Kuala Lumpur, Malaca, Penang e Langkawi. Nesse caso, acredito que seria necessário, no mínimo, de 3 a 4 dias em KL, 3 dias em Penang, 2 em Langkawi e 1 em Malaca, totalizando 10 dias.

Espero que tenha gostado das informações e dicas, e que elas tenham sido úteis! E qualquer dúvida, deixe seu comentário!

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