Macau: a colônia portuguesa na China

Macau: a colônia portuguesa na China

Macau, assim como Hong Kong, é uma região administrativa especial da China, e isso significa (como já expliquei aqui também) que Macau tem seu próprio governo, leis, moeda, bandeira… enfim, pode ser considerada um país, apesar de estar atrelada à China quanto às suas relações exteriores e de defesa.

Bandeira nacional
Bandeira nacional

Enquanto Hong Kong pertenceu à Inglaterra por 99 anos, Macau foi colonizada pelos portugueses em meados do século XVI, tendo se tornado oficialmente uma colônia em 1887. Mais de cem anos depois, em 1999, Macau voltou à soberania chinesa. Sendo assim, Macau foi uma das primeiras colônias europeias na Ásia e também uma das últimas – oficialmente, Timor-Leste foi a última, pois tornou-se independente de Portugal em 2002, mas já havia sido “abandonada” pelos portugueses desde 1975.

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As marcas da colonização portuguesa de mais de 400 anos estão por todas as partes de Macau, desde a arquitetura até a língua. O português até hoje é um dos idiomas oficiais do “país”, juntamente do chinês, mas na prática apenas o chinês é falado pela população, sendo que o português é somente uma língua administrativa.

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Alguma ideia de como “Largo do Pagode do Bazar” fica em chinês? Ou mesmo em inglês?!

Então, apesar de tudo em Macau estar escrito em português e chinês (e às vezes em inglês também, no caso de sinalizações para turistas), ninguém realmente fala a nossa língua, o que é muito bizarro, eu achei. Assim que chegamos no terminal de ferry de Macau, vindo de Hong Kong, demos de cara com um balcão de Informações Turísticas (escrito assim mesmo, em português), e eu, toda contente e empolgada para descobrir como era o português dos chineses, perguntei para uma das atendentes “Você fala português?” e ela, pelo jeito entendeu minha pergunta, mas falou um “não” com o mesmo sotaque que você escutaria de um americano, por exemplo, tentando falar “não”, algo como “nááum”, rs. Enfim, ali eu descobri que não ia poder usar minha língua-mãe pra me comunicar em Macau. Mas, pelo menos, dava pra entender todas as placas, e isso já foi bem divertido!

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A 60 km de Hong Kong, na parte sul da costa chinesa;

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Bem menor que Hong Kong, Macau tem uma área de 30.5 km² e cerca de 650 mil habitantes, sendo 95% deles de etnia chinesa.

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A moeda oficial de Macau chama-se Pataca (MOP), mas os dólares de Hong Kong são aceitos normalmente (nós usamos os dólares no ônibus, restaurantes, em tudo que é lugar, e não tivemos problema nenhum), pois as duas moedas tem o mesmo valor.

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Macau está na mesma situação que Hong Kong: por terra só é possível chegar se estiver na China, então as únicas opções são ferry e avião. Tanto Macau como Hong Kong têm aeroporto internacional. Para saber como transitar entre estes dois “países”, veja aqui.

Como ir do terminal de ferry ao centro: táxi, translado do hotel em que for se hospedar ou ônibus. Logo na saída do terminal, à direita, há vários ônibus que vão em direção ao centro da cidade. Nós pegamos o de número 3 e descemos no Largo do Senado. Nossa vantagem sobre os demais turistas em Macau é que nos ônibus estão escritos os nomes das paradas em português e dentro deles essas paradas são anunciadas em português também, muito doido!

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Macau é dividida em duas partes principais, a parte conectada ao continente e a ilha de Taipa (nós não fomos nessa ilha porque não tivemos tempo). O aeroporto e o famoso hotel-cassino Venetian ficam em Taipa, enquanto que as ruínas, o Largo do Senado e o terminal de ferry ficam na parte continental.

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A não ser que você planeje passar bastante tempo nos cassinos, acho que é possível visitar todas as atrações de Macau em um ou dois dias. Nós passamos apenas uma tarde lá e achei que foi pouco, então definitivamente recomendo dormir lá pelo menos uma noite.

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Nós só ficamos na parte continental de Macau e fizemos tudo a pé ou de ônibus (para ir e voltar ao terminal de ferry); outra opção seria de táxi.

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Macau é beeeeem diferente de Hong Kong, então não espere os arranha-céus e shoppings gigantescos, mas muitos cassinos e hotéis, prédios antigos, ruínas e igrejas, uma mistura muito interessante de China com Portugal.

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O que leva a maioria dos turistas a Macau é, sem dúvidas, os cassinos, e confesso que achei que essa seria a única atração do lugar, mas que bom que estava enganada! Para mim, que não ligo muito pra cassinos, o que mais gostei em Macau foi o centro histórico, as construções portuguesas misturadas com as chinesas, as placas em português, as lojas vendendo pastéis de Belém… enfim, a cidade velha de Macau é completamente diferente de tudo o que eu esperava encontrar na China! Nem sequer parece real! A cada rua que nós andávamos, eu esquecia que estava na Ásia, pois tudo parecia tão familiar… foi uma experiência muito doida, uma pira!

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1. Largo do Senado: um praça-calçadão onde fica a Santa Casa da Misericórdia (como será que traduziram isso pro chinês?!?), além de outros prédios com arquitetura portuguesa;

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A caminho das Ruínas de São Paulo
A caminho das Ruínas de São Paulo
A caminho das ruínas, na Rua de São Paulo, há várias lojas vendendo esse tipo de "bacon", e cada uma dá amostras grátis para os visitantes experimentarem cada sabor. Nós comemos tanto isso que nem precisamos almoçar rs
A caminho das ruínas, na Rua de São Paulo, há várias lojas vendendo esse tipo de “bacon”, e elas dão amostras grátis para os visitantes experimentarem cada sabor. Nós comemos tanto isso que nem precisamos almoçar rs

2. Ruínas de São Paulo e a Fortaleza do Monte: patrimônios mundiais da humanidade pela Unesco, as ruínas da antiga Igreja da Madre de Deus e a Fortaleza do Monte são as principais atrações da Macau histórica. A igreja (bem como o Colégio de São Paulo adjacente a ela) e a fortaleza haviam sido construídas por jesuítas no século XVI, mas um incêndio em 1835 destruiu o colégio e a igreja, deixando apenas sua fachada.

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Vista da fortaleza

3. Rua da Felicidade: encontramos essa rua por acaso, caminhando pelo centro histórico de Macau, e achei a mais bonita da cidade! Apesar do nome bonitinho, a “felicidade” a que a rua se refere vinha dos bordéis e casas de jogos, onde se fumava o ópio, isso até mais ou menos os anos 1940, quando as drogas e a prostituição se tornaram ilegais. Hoje, a rua tem apenas armazéns e restaurantes, e chama a atenção pelas cores de suas fachadas, vermelhas e brancas.

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5. Cassinos: Macau é a Las Vegas da Ásia. Foram os cassinos que levaram modernidade e riqueza à cidade, e é por causa deles que Macau é conhecida internacionalmente, atraindo milhões de visitantes todos os anos.

Cassino Grand Lisboa, chama a atenção de onde quer que você esteja
Cassino Grand Lisboa: chama a atenção de onde quer que você esteja
Cassino Lisboa
Cassino Lisboa
No saguão do cassino-hotel Lisboa
No saguão do cassino-hotel Lisboa

Os jogos de cassino foram legalizados pelos portugueses por volta de 1850, sendo o único lugar da China onde eles são permitidos. Hoje, essa atividade representa 50% da economia de Macau, e o faturamento com os jogos é ainda maior que em Las Vegas!

Há mais de 30 cassinos em Macau, e é na ilha de Taipa onde estão os cassinos-hotéis mais ocidentalizados, como o Venetian, que dizem que é igualzinho ao de Las Vegas.

Para mim, os cassinos são só para visitar, pois nunca joguei e nem tenho vontade (ou $$ pra gastar com esse tipo de coisa, rs). Também não me sinto muito à vontade neles, provavelmente pelo fato de serem lugares fechados – quase sempre cheirando a cigarro – onde não se tem ideia se é dia ou noite, além de serem barulhentos. Mas, para quem gosta, Macau é o destino perfeito!

Espero que tenha gostado e que este post tenha sido útil! Qualquer dúvida, deixe seu comentário!

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