China: introdução e dicas de viagem

China: introdução e dicas de viagem

Dos países em que já estive, a China foi onde senti o maior choque cultural – a Rússia vem em segundo lugar, rs. Como eu estava com o Evandro e ele já tinha ido para a China antes (e se apaixonado perdidamente pelo país), eu tinha uma mínima ideia de como as coisas eram, de como a comida é muito diferente do que todo mundo imagina, de como o povo é “excêntrico”, de como a mistura entre história e modernidade é fascinante… enfim, já estava preparada emocionalmente para os desafios que teríamos. CONTUDO, eu ainda me surpreendi muito!

Senti amor e ódio ao mesmo tempo; passei raiva, mas também me emocionei; comi coisas horrorosas, e outras incríveis; descobri comidas e bebidas que nem imaginei que existiam; tirei muitas fotos com pessoas aleatórias (já explico isso); visitei alguns dos lugares mais antigos da nossa civilização; conheci uma das 7 maravilhas do mundo; quebrei muitos preconceitos e estereótipos; e aprendi MUITO sobre um dos países mais importantes e influentes da história da humanidade. Não é pouca coisa, certo?

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Bandeira da República Popular da China

A China, na minha opinião, é um mundo à parte. É tão grande e diferente dos outros países que chega a ser impossível compará-la a outros lugares. Como ficamos lá por quase um mês e passamos por sete cidades diferentes, pudemos entrar ‘com tudo’ na cultura chinesa e absorver com calma todas as novidades – boas e ruins.

Acredito que a China é um dos países que mais sofre preconceito na Ásia, porque, apesar de ser muito conhecida e fundamental para a economia mundial, a maioria das pessoas não sabe praticamente nada a seu respeito! A ideia que normalmente se tem da China é: chineses comem cachorro, insetos e aranhas, tem muita sujeira e porquice, país é comunista e o governo é autoritário, tem um monte quinquilharias baratas para comprar, entre outros estereótipos.

Desses que eu citei, todos são equivocados! Vamos abordar um por um (mas apenas rapidamente, pois vou voltar no assunto depois):

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1. Sim, em algumas regiões da China come-se carne de cachorro, mas primeiro: não é só na China; segundo: isso não significa tem carne de cachorro em tudo que é restaurante (eu não vi em NENHUM lugar em todo o tempo que estive lá); e terceiro: também não significa que se você estiver passeando com seu cãozinho na rua, alguém vai sequestrá-lo para fazer churrasquinho dele. Não! Os chineses não são um povo bárbaro e sem escrúpulos que come animais fofinhos por puro sadismo. Costumes são costumes; cada cultura têm os seus. Na França não se come lesma e patê de fígado de pato? O que é nojento e absurdo pra uns é normal para outros. E vou reforçar: não é todo mundo que come cachorro na China! Muitos chineses inclusive repudiam esse costume, assim como nós!

2. Sim, é possível encontrar espetinhos de insetos, aranhas e escorpiões à venda na China, mas não, eu NUNCA vi NINGUÉM comendo isso! Pra mim, eles só servem para chamar a atenção dos turistas estrangeiros e ganhar dinheiro em cima deles, pois é sempre cobrado para tirar foto dos infames ‘espetinhos’. Além disso, eu só vi uma vez, em Beijing, numa feirinha super turística, e não num lugar onde as pessoas locais vão de fato.

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3. O padrão de limpeza e higiene varia muito de país a país. Nós não temos aquela ideia de que os franceses não tomam banho? Pois então, se tomam ou não eu já não sei (fica aí a ideia pra outro post), mas a verdade é que sempre esperamos que os outros sigam os mesmos hábitos que a gente, o que não acontece na realidade… no caso dos chineses, eles têm alguns costumes bizonhos (como comer com a boca aberta e fazendo barulho), mas isso não significa que eles não tenham higiene, é só estranho – e incomoda de ver e escutar, hahaha.

4. Sim, a China teoricamente segue o regime socialista, e os chineses têm algumas restrições por conta disso – uma delas é que Facebook, Google, Youtube, entre outros sites famosos são bloqueados (mas ainda bem que existe uma coisa mágica chamada VPN!). Fora isso, até onde pude perceber, a China é ‘normal’, assim como países capitalistas. Tem McDonald’s, shoppings, lojas, todas as marcas e redes famosas.

Beijing, China (30)

5. Como quase tudo que nós temos em casa é Made in China, muitos acreditam que na China as coisas são praticamente de graça, sendo o paraíso das compras, onde roupas (estilo Ali Express) e eletrônicos são baratíssimos e vale a pena ir lá só pra comprar adoidado e trazer muitos produtos para revender no Brasil. Não, NADA a ver! As lojas e produtos têm preços normais para o padrão do país. As coisas não são absurdamente mais baratas porque são produzidas lá. E sim, isso é um pouco decepcionante…

Feirinha de souvenir em Beijing, nada muito barato
Feirinha de souvenir em Beijing, nada muito barato

Bom, esclarecidas essas questões, rs, vamos às dicas! Neste post vou dar algumas informações gerais sobre a China, além de dicas de como chegar, quando ir e que cidades visitar. E, nos próximos posts, vou falar especificamente de cada lugar em que estivemos.

Em Suzhou
Suzhou

Nós estivemos na China em janeiro de 2015, durante a nossa viagem de 7 meses. Beijing (ou Pequim) foi a última cidade do Transmongoliano, a rota de trem que começa na Rússia, em Moscou, passa pela Mongólia (Ulaanbaatar) e termina na China (Beijing) – mas isso é assunto para outro post, rs. Na China, então, nosso roteiro foi: Beijing – Ping Yao – Xian – Suzhou – Shanghai – Hangzhou – Nanning, e todas as viagens foram de trem, alguns convencionais e outros trechos de trem-bala.

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A China é o terceiro maior país do mundo, com uma área de mais de 9,6 milhões de metros quadrados, ficando atrás apenas da Rússia e do Canadá. Faz fronteira com os seguintes países: Rússia, Mongólia e Cazaquistão ao norte; Coreia do Norte a leste; Vietnã, Laos, Mianmar, Índia, Butão e Nepal ao sul; e Paquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Afeganistão a oeste.

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Com mais de 1,3 bilhões de habitantes, a China é o país mais populoso do mundo, algo que se percebe logo de cara, pois a quantidade de gente em todos os lugares é realmente impressionante! Por conta do número de pessoas, é difícil manter a organização muitas das vezes, e notamos que os chineses não têm muita noção de espaço próprio, ou aquele bom senso de “vamos esperar a vez do outro”. Não, isso não existe, rs!

Caminhar nas ruas é um desafio! Com tanta gente pra tudo que é lado, empurrões e pisadas do pé são coisas super rotineiras, hahaha. E na fila para comprar passagens de trem/metrô, prepare-se para os furões entrando na sua frente. Para entrar no trem, metrô ou ônibus, sabe aquele senso comum de esperar os passageiros desembarcarem, para, só depois disso, começar a embarcar e assim manter a ordem e respeitar a vez dos outros? Isso não acontece na China! Assim que abrem as portas do trem/ônibus, é um deus-nos-acuda para sair e outro deus-nos-acuda para entrar. E se você não fizer como os outros, e ir se empurrando até chegar na porta, você não terá vez… hahaha!

Bem pouca gente saindo do trem, não?
Bem pouca gente saindo do trem, não?

Outra ‘particularidade’ dos chineses é que eles são ex-tre-ma-men-te curiosos! Não sei o que acontece, se eles não veem muitos gringos, ou se eles acham que todo gringo é famoso/rico/importante, ou se eles acham a gente bonito, ou o contrário, acham que somos esquisitos… não faço ideia do motivo, mas só sei que me senti uma alienígena na China! Ou uma celebridade, um dos dois! Depois da China eu sei como os famosos se sentem sendo observados o tempo inteiro… hahaha!

Nós éramos vigiados pelos chineses aonde quer que íamos! Nas cidades menores (Ping Yao e Nanning) então, era ainda pior. Eles nos encaravam, tiravam fotos da gente, paravam pra nos admirar, paravam atrás de nós pra ver o que nós estávamos lendo/vendo no computador/celular, apontavam pra gente (tipo, “olha lá o gringo!”), pediam pra tirar fotos conosco (isso eu achava legal, hahaha), e alguns mais corajosos vinham perguntar de onde a gente era, há quanto tempo estávamos ali, se estávamos gostando do país, e coisa e tal. Eu achei os chineses um povo muito querido e simpático, sempre nos tratando muito bem, às vezes até demais, como se a gente fosse ‘realeza’, hahaha. O problema é que eles são muito sem noção! Eles não sabem respeitar o nosso espaço e nossa privacidade, mas não era por mal, é só jeitão deles mesmo…

Casal me conferindo em Nanning, China.
Casal me conferindo em Nanning. Provavelmente pensando “olha, a gringa faz compras! O que será que gringo compra?” Hahaha! Nos mercados, as pessoas ficavam olhando dentro da nossa cesta ou carrinho, pra ver o que estávamos comprando, na maior cara dura, hahaha

Infelizmente não tenho nenhum registro dos chineses tirando foto com a gente, porque eles sempre nos pegavam desprevenidos e daí nem lembramos de tirar foto também. Mas isso aconteceu VÁRIAS vezes! O engraçado é que às vezes quando um grupinho ou casal criava coragem de vir pedir pra tirar foto, outras pessoas que estavam passando curtiam a ideia e aproveitavam o “embalo” pra tirar foto também. Eu lembro que em Ping Yao (uma cidade pequena e bem turística entre Beijing e Xian), primeiro um casal veio tirar foto com a gente, daí um grupinho de meninas adolescentes se animou e também quis. Daí quando eu achei que já tinha acabado a sessão ‘momento de celebridade’, veio mais um grupo de adolescentes! Uma das meninas que ficou do meu lado até enganchou no meu braço pra foto! Eu sou brasileira, estou acostumada com contato físico, mas achei estranho uma menina chinesa que nunca me viu na vida vir me abraçar e pegar no meu braço, hahaha. Eu não me importei, até achei fofo, mas fiquei surpresa! Normalmente os orientais são mais fechados e tímidos… pelo jeito nem todos, hahaha.

Ah! E 99% das pessoas que vinham pedir pra tirar foto com a gente não falavam nem um pingo de inglês! Elas só faziam a mímica (gesto internacional de fingir que está apertando o botão de uma câmera invisível, haha) ou tentavam falar “photo” (dava pra entender que era isso pelo contexto). E depois da foto eles só agradeciam e saíam admirando a foto bem felizes e contentes, hahaha.

A primeira vez que isso aconteceu foi na Cidade Proibida em Beijing. Um rapaz de uns 20 anos veio falar com o Evandro. Imaginei que ele queria que o Evandro tirasse foto dele, né, isso seria o “normal”. Mas daí ele queria que eu tirasse foto dele com o Evandro! Eu fiquei sem entender, mas tirei a foto. Daí depois ele quis que o Evandro tirasse a minha foto com ele, hahaha. Achei que ele ia bater um papo com a gente depois, saber de onde a gente era e tal… mas não, ele só queria a foto com os gringos. De onde eles são não importa, hahaha.

Cidade Proibida
Cidade Proibida, Beijing

Fico pensando o que eles fazem com essas fotos depois! Será que postam nas redes sociais “Eu e meu amigo gringo” ou “Eu e os americanos” – os chineses acham que todo branco é americano, não sei por quê! Toda vez que iam chutar de onde nós éramos, diziam “American?” (os que falavam um pouco de inglês, claro). Como diz o ditado Ignorance is bliss (a ignorância é uma bênção), é melhor nem saber o que eles fazem com as nossas fotos ou o que dizem da gente para os outros, hahaha.

Outra curiosidade do povo chinês que pude perceber nas 3 semanas em que estivemos lá foi que os chineses têm hábitos que nós consideramos muito nojentos! Comer de boca aberta, comer fazendo barulho, fumar dentro de restaurantes, cuspir no chão, arrotar, dar “catarradas”, assoar o nariz onde der, jogar cascas de frutas/sementes no chão são coisas corriqueiras e normais para eles. Admito que não é fácil se acostumar com isso, dá muita agonia, hahaha!

Cidadão fumando no restaurante
Cidadão fumando no restaurante

Nos trens e estações, há placas de: “Não fumar” – os chineses fumam muito, e ainda não existe muita restrição quanto a isso como no Brasil, que é proibido em qualquer lugar coberto; “Não jogar lixo no chão” – os chineses jogam muito lixo no chão (principalmente cascas de frutas e nozes), mas ao mesmo tempo os lugares e as ruas não são sujas porque sempre tem gente limpando; e “Não cuspir” – essa é a pior, hahaha. No Brasil às vezes vemos homens cuspindo na rua, mas na China mulheres também cospem, e o pior: não só na rua, como também em lugares fechados! Afinal, se há placas de “Não cuspir” dentro dos trens, é porque tem gente que faz isso! Ecaaaaa!
Guilin-Shanghai

E de todos os costumes nojentos, o pior pra mim é comer fazendo barulho. Se você é como eu e tem sérios problemas com escutar os outros mastigando do seu lado, prepare a dose de paciência antes de ir para a China! Parece que eles fazem de propósito, pois não é possível comer fazendo TANTOS sons diferentes, hahaha! Ninguém merece!!

Por outro lado, um costume dos chineses que eu achei muito bacana é que especialmente os mais velhos se exercitam muito! Em qualquer parque que você vá na China, pode ter certeza que haverá um grupinho fazendo tai chi chuan (um tipo de arte marcial que se baseia no equilíbrio e na suavidade dos movimentos), dançando, se alongando, ou jogando peteca! Os idosos chineses dão de 10 a 0 em qualquer um, é algo impressionante! Eles são super flexíveis e cheios de energia! Achei isso demais! Um exemplo para os outros povos!

Beijing, China (7)

Jogo de peteca
Jogo de peteca
Aula de dança
Aula de dança
Tai chi
Tai chi
Quantos idosos você conhece que conseguem fazer abertura total?
Quantos idosos você conhece que conseguem fazer abertura total?

E o último costume bizarro dos chineses é que os mais velhos saem de casa de pijama e não estão nem aí com isso! Hahaha!
Shanghai (94)

Os modelitos dos pijamas são demais, hahaha!
Os modelitos dos pijamas são demais, hahaha!

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A fé dos chineses se apoia em três tradições éticas e religiosas: o confucionismo, o taoismo e o budismo, que juntos deram origem à religião popular e tradicional chinesa. É muito difícil classificar o povo chinês entre uma crença/filosofia e outra, pois elas se misturam e se sobrepõem de uma forma única, que só acontece na China.

Pingyao, China (33)

O confucionismo, como o nome indica, é a ideologia baseada nos ensinamentos do mestre Confúcio, nascido no século 5 a.C. Confúcio não era um homem religioso e não estava preocupado com a vida após a morte ou os mistérios do Universo, mas sim em transmitir sua sabedoria acerca do mundo ‘real’. Ele introduziu os conceitos de “humanismo”, de fazer o bem ao outro, e de respeito à hierarquia, à etiqueta e às normas da sociedade. O confucionismo está presente no comportamento dos chineses até hoje na maneira como eles se preocupam com a etiqueta. Um exemplo é que você sempre deve receber algo de outra pessoa (presentes, dinheiro, cartão de visitas etc.) com as duas mãos, como sinal de respeito ao outro.

O segundo pilar da religião chinesa é o taoismo. Tao significa “caminho” ou “curso”, a força motriz ou energia que rege todas as coisas e que mantém o Universo em equilíbrio. Do taoismo surgiu o conceito de yin yan, forças opostas e complementares: o feminino e o masculino, a lua e o sol, a escuridão e a luz, o fogo e a água, o silêncio e o som, entre outras. Estes conceitos foram reunidos como filosofia por Lao-tsé, que pregava a busca do equilíbrio entre indivíduo e Universo (cosmos). Os ensinamentos do taoismo estão presentes no dia a dia dos chineses no modo como dispõem os móveis em suas casas (feng shui) e na prática das artes marciais, tais como o tai chi chuan. Além disso, o taoismo trouxe aos chineses muitas superstições, as quais eles seguem até hoje.

Temple of Heaven, templo taoista em Beijing
Temple of Heaven, templo taoista em Beijing

O terceiro e último pilar da fé chinesa é o budismo. Com os ensinamentos de Buda vindos da Índia, os chineses ganharam a crença na reencarnação e no nirvana (elevação espiritual). Diferente do budismo terevada (praticado no Sri Lanka, Tailândia, Mianmar, Laos, Camboja, entre outros países), que é mais filosófico, a vertente do budismo que ganhou mais popularidade na China foi o mahayana, que aceita a existência de vários deuses, de espíritos e demônios.

Estátua de Buda em Hangzhou
Estátua de Buda em Hangzhou

Essas três filosofias regem a vida da grande maioria dos chineses, mesmo aqueles que não “praticam” de fato nenhuma religião.

Entre as minorias religiosas, as com mais adeptos são o cristianismo (cerca de 4% da população) e o islamismo (por volta de 2%).

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O idioma oficial da China é o mandarim padrão, que provém do dialeto de Beijing (a capital do país) e é utilizado como língua franca entre os chineses que falam diferentes dialetos e línguas. Além disso, é o mandarim padrão que é ensinado aos estrangeiros que desejam aprender a “falar chinês”.

Fora o mandarim, os dois dialetos mais falados na China são o xangainês, ou wu, da região de Shanghai, e o cantonês, ou yue, da região sudoeste do país (que abrange os territórios de Hong Kong e Macau).

Os alfabetos utilizados são dois: os caracteres chineses e o chamado pinyin, uma forma romanizada do mandarim padrão, que consiste nas letras do alfabeto romano e mais os acentos indicando a tonalidade das vogais. O sistema de pinyin faz com que a nossa vida de viajante seja muuuuito mais fácil na China, pois todas as placas, nomes de rua, estações etc. etc. estão na forma romanizada!

Pinyin, caracteres chineses e tradução em inglês
Pinyin, caracteres chineses e tradução em inglês

O que dificulta a vida de viajante, no entanto, é o fato de que a maioria dos chineses não fala nem uma palavra em inglês. E os que falam têm um sotaque bem carregado e um nível muito básico da língua. Por isso, sugiro muito aprender algumas frases, principalmente as de educação: xièxie (obrigado), nǐ hǎo (oi) e duìbùqǐ (com licença/desculpa, pronuncia-se “duebutchi”).

Nem sempre a tradução para o inglês é das melhores, HAHAHA
Nem sempre a tradução para o inglês é das melhores, HAHAHA

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Do Brasil, há inúmeras companhias aéreas que vão para a China, mas nenhum voo é direto. A conexão é geralmente nos Estados Unidos, na Europa ou no Oriente Médio.

Pelos Estados Unidos, digamos Nova York, o voo de São Paulo até lá dura cerca de 10h; e de Nova York a Beijing, mais 14h. Pela Europa, digamos Paris, o voo de São Paulo até lá dura 11h, e mais 10h até a China. E, pelo Oriente Médio, um voo de São Paulo a Dubai leva 15h, e de lá à China, mais 7h. Como você pode ver, de qualquer jeito é demorado, rs!

Por terra, é possível entrar por vários países, afinal, a China faz fronteira com 14, mais os territórios especiais Hong Kong e Macau. Nós entramos na China, de trem, pela Mongólia e saímos, de ônibus, para o Vietnã. A viagem de trem entre Ulaanbaatar (capital da Mongólia) e Beijing foi a mais longa da minha vida, hahaha! Foram quase 2.000km percorridos e 28h dentro do trem!

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Assim como quase todas as outras nacionalidades, brasileiros precisam de visto para viajar na China, e o visto só é adquirido na embaixada – não existe opção de e-visa ou visa on arrival. O visto pode ser de uma, duas ou múltiplas entradas. Lembre-se que Hong Kong e Macau possuem sua própria imigração e não requerem visto! Isso significa que, se você estiver na China propriamente dita, digamos em Shanghai, e de lá for para Hong Kong, você não poderá voltar à China depois se seu visto for de apenas uma entrada! Tome muito cuidado com isso! Às vezes compensa pagar um pouco a mais e pegar o visto de mais entradas, e não precisar se preocupar com esses detalhes.

No nosso caso, fizemos o visto chinês em Ulaanbaatar (Mongólia) e escolhemos o visto de uma única entrada porque, como fizemos sem agência, teríamos que comprovar que iríamos entrar e sair do país várias vezes, o que a gente não tinha como fazer. Nós precisamos de: passagem de entrada e saída do país, invitation letter, reserva do hotel na primeira cidade por 3 noites, foto 3,3cm X 4,8cm e um formulário. Dois pepinos: a carta e a passagem de saída do país.

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A carta nós apenas conseguimos indo a uma agência e pagando para eles arranjarem, mas detalhe: a carta em si não custa nada, só que para consegui-la você deve pagar as 3 noites no hotel que eles escolhem em Beijing (ou outra cidade). Resumindo, nos cobraram US$200 por essas três diárias – cerca de US$70 cada uma, muito mais do que nós estávamos pagando durante a viagem, mas fazer o quê…

O segundo problema foi a passagem de saída da China. Durante toda a viagem até ali (já estávamos há quase 5 meses ‘na estrada’), não tínhamos comprado nenhuma passagem com muita antecedência, pois queríamos ter flexibilidade para mudar de ideia, trocar o roteiro etc. Além disso, estávamos fazendo tudo por terra, então como iríamos comprar passagens de trem ou ônibus da China para outro país estando na Mongólia? Impossível! A solução então foi reservar uma passagem de avião aleatória sem pagar nada em uma agência de viagens lá em Ulaanbaatar. Nós pedimos uma passagem de Shanghai a Bangkok (apenas falamos a primeira cidade que veio na cabeça), escolhemos o voo e pedimos para reservar. A atendente nos imprimiu a reserva e falou que tínhamos dois dias para pagar a passagem; depois disso, ela seria cancelada. Como nós íamos à embaixada levar a papelada para o visto chinês no dia seguinte, não iríamos ter problema nenhum, pois aquela reserva ainda seria válida. Depois de tudo arranjado, fomos à embaixada, deixamos os documentos necessários e o passaporte, e, cinco dias depois, o visto ficou pronto!

Como você deve ter percebido, não foi muito simples tirar o visto para a China em outro país. Por isso, recomendo fazê-lo ainda no Brasil, mesmo se você for a outros países antes dela, para evitar todo esse trabalhão.

Estação de trem em Beijing
Estação de trem de Beijing

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O transporte na China é muito eficiente, sendo facílimo se deslocar entre uma cidade e outra seja de ônibus, trem ou avião. Nós apenas pegamos trens e o único ônibus foi para ir de Nanning (ao sul do país) a Hanoi (Vietnã). Como a China é terceiro maior país do mundo, você já pode imaginar que as distâncias entre os lugares são enoooormes! Para se ter uma ideia: um avião de Beijing a Shanghai percorre 1000km; de Shanghai a Hong Kong, 1.200km; Beijing a Xian, 900km; Xian a Shanghai, 1200km.

Por conta das longas distâncias, então, não acho que seja viável viajar de ônibus na China, e nem de trem durante o dia. Os dois melhores jeitos são pegar trens-bala, trens noturnos (que viajam durante a noite e você pode ir dormindo, e ainda economiza hotel) ou avião. A China tem cerca de 200 aeroportos por todo o país, e suas estações de trem são as maiores e mais organizadas que eu já vi – melhores que as do Japão, inclusive. Na verdade, as estações de trem na China são melhores que muitos aeroportos por aí; é realmente impressionante!

Estação de trem em Hangzhou
Estação de trem em Hangzhou

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Fila para entrar no trem. Não parece um aeroporto? Rs
Fila para entrar no trem. Não parece um aeroporto? Rs

A China tem a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, que se extende por 29 das 33 províncias do país, e sua linha mais longa é entre Beijing (norte) e Kunming (sul), que percorre 2.760km em apenas 12 horas! Além disso, o trem mais rápido do mundo também é chinês: o Shanghai Maglev Train atinge a velocidade de 431km/h!

Nós pegamos trens-bala de Suzhou a Shanghai, Shanghai a Hangzhou, e Hangzhou a Nanning. Esse último trecho era de 1.860km e a viagem levou 10h (se fosse um trem convencional, levaria um dia inteiro!).

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Almoço no trem-bala
Almoço no trem-bala

Quanto aos trens convencionais, pegamos de Beijing a Ping Yao; de Ping Yao a Xian; e de Xian a Suzhou. Todos eles foram à noite, então aproveitamos para economizar em hotel. Nos trens noturnos convencionais, existem quatro categorias de assento/cama:

  • Hard seat – assento duro, literalmente; é a pior opção para uma viagem longa, pois não é muito confortável e o espaço entre o seu banco e o da frente é muito pequeno;
  • Soft seat – o assento é mais confortável e espaçoso; em distâncias curtas é ok, mas para trens noturnos eu recomendo pegar uma cama, sem dúvidas!
  • Hard sleeper – “treliches” dentro de um vagão aberto; é possível escolher entre a cama de cima (upper), do meio (middle) e de baixo (lower). Nenhuma é ideal, pois a de cima é a mais apertada de todas (você fica quase grudado no teto, rs), mas é a que tem mais privacidade; a do meio é um pouco mais espaçosa; e a de baixo é a mais confortável, mas pode ser que outras pessoas usem a sua cama de ‘sofá’ antes de irem dormir. Em qualquer uma que você escolha, está incluso na passagem o jogo de cama (travesseiro, coberta, lençol e fronha).
  • Soft sleeper – vagão dividido em vários compartimentos com 4 camas cada. Jogo de cama também é providenciado.
  • Em algumas linhas especiais (trechos mais ‘famosos’ como Beijing – Xian e Beijing – Shanghai), há ainda uma quinta categoria, que é deluxe soft sleeper, compartimento com apenas duas camas e banheiro privado.
Vagão aberto com as 'triliches'
Vagão aberto com as ‘treliches’
Não tem espaço nem pra sentar, hahaha
Não tem espaço nem pra sentar, hahaha
Deitado até não é tão ruim, hahaha
Deitado até não é tão ruim, hahaha

Para comprar as passagens de trem, nós compramos todas elas diretamente nas estações e um dia antes da viagem, e não tivemos nenhum problema com isso. Talvez porque viajamos no inverno, a concorrência por assentos e camas nos trens não era tão grande, mas recomendo ficar atento aos feriados, fins de semana e época de férias, e, nesses casos, tentar reservar/comprar as passagens com antecedência.

Na fila pra comprar passagem
Na fila pra comprar passagem

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A moeda chinesa é o Renminbi (também chamado de Yuan), cujo símbolo é ¥. 1 Renminbi equivale a mais ou menos 15 centavos de dólar, e 45 centavos de real. Portanto, a conta fácil é dividir pela metade e chutar para menos: 25¥ = R$11; 100 ¥ = R$45; 300¥ = R$135.

Quanto aos custos, a China é um país barato para viajar, mas não tão barato como a maioria imagina! Comida é sim muito em conta, mas fazer compras (principalmente de eletrônicos) não compensa tanto como as pessoas acham… Nós não fomos com esse objetivo (compras), então não cheguei a pesquisar e comparar preços, mas me surpreendi ao ver que o valor dos produtos é muito parecido com o que nós pagamos no Brasil.

Agora, para se ter uma ideia dos custos de viagem: passagem aérea do Brasil à China custa por volta de US$900-1200 (R$2800-3700); passagem de trem de Beijing a Xian (hard sleeper, 12h de duração) custa 280¥ (R$127); trem-bala entre Suzhou e Shanghai (segunda classe de assento, 23 minutos de duração) custa 35¥ (R$16); preços de hospedagem (quarto duplo com banheiro privado) começam em 110¥ (R$50) em um hotel numa rede chinesa (como 7 Days Inn e Home Inn), e por 300¥ já é possível se hospedar em uma rede internacional (Mercure, Novotel, Holiday Inn, entre outras). Refeições custam entre 15 e 35¥.

Rede 7 Days Inn em Hangzhou
Rede 7 Days Inn em Hangzhou

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Escolher a melhor época para visitar a China não é uma tarefa fácil, afinal, o território é enorme e o clima varia muito de região a região. Nós fomos em janeiro e pegamos frio (entre 0 e 10°C), alguns dias nublados, um de chuva e os demais dias de sol.

Dia chuvoso em Suzhou
Dia chuvoso em Suzhou

O momento certo para ir depende muito dos seguintes tópicos: qual é seu roteiro? Que tipos de passeio quer fazer? Qual estação/temperatura mais te agrada? Você prefere alta ou baixa temporada? Tem algum feriado/festividade especial que você quer ver, ou de que você quer participar (Ano Novo Chinês, por exemplo)?

A baixa temporada é durante o inverno, de novembro a fevereiro. No norte pode fazer bastante frio (ainda mais nas áreas montanhosas) e no sul as temperaturas são amenas. O feriado mais importante dessa época é o Ano Novo Chinês, que geralmente acontece em janeiro ou fevereiro – prepare-se para comprar passagens e reservar hotéis com muita antecedência se você for viajar nessa época!

A alta temporada é de maio a agosto, quando o tempo está quente em todo o país, mas o índice de chuvas é maior.

E as estações mais indicadas são a primavera e o outono, quando as temperaturas estão mais amenas e as atrações turísticas não estão tão lotadas. Lembre-se: a China já é lotada naturalmente (mais 1.3 bilhões de pessoas vivem lá), então imagine como não fica a situação na época de férias e nos feriadões! Deve ser absurdamente caótico, hahaha!

Antes de comprar as passagens para o verão na China, reflita: é assim que você quer visitar a Grande Muralha?

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Ou você prefere assim? (A foto acima provavelmente foi tirada num dia de feriado, nem todos os dias da alta temporada são lotados assim, mas, de qualquer jeito, sugiro evitar as multidões se possível!)

Muralha da China - Mutianyu (20)

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Vou listar aqui algumas das inúmeras atrações da China, e as sete primeiras estarão detalhadas em outros posts, com dicas e informações específicas.

1. Beijing e a Cidade Proibida

Cidade Proibida - Beijing, China (1)

2. A Grande Muralha da China, nos arredores de Beijing

Muralha da China - Mutianyu (22)

3. Shanghai, a maior metrópole da China

Shanghai, China (12)

4. A cidade antiga de Ping Yao

Pingyao, China (8)

5. A cidade dos canais, Suzhou

Suzhou (91)

6. A cidade dos lagos, Hangzhou

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7. Xian e o Exército de Terracota

Xian[Terracota] (46)

8. Pandas e o Buda Gigante em Chengdu

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Foto: travelchinawith.me
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Foto: chinatourguide.com

9. A região montanhosa de Guilin e o rio Li

Foto: airlines-airports.com
Foto: airlines-airports.com

10. As cordilheiras de HuangshanZhangjiajie

Huangshan. Foto: chinatour.com
Huangshan. Foto: chinatour.com
Zhangjiajie. Foto: agoda
Zhangjiajie. Foto: agoda

11. A famosa Rota da Seda (Silk Road)

Foto: chinatourguide.com
Foto: chinatourguide.com

Outros territórios

A Região Autônoma do Tibete, que luta pela independência da China há décadas.

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Foto: thelandofsnows.com

A ilha de Taiwan é reivindicada pela República Popular da China, mas administrada pela República da China

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Taipei, capital de Taiwan. Foto: Catraca Livre

Hong Kong, território administrativo especial da China.

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Macau, o segundo território administrativo especial da China.

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Mapa com as atrações mencionadas aqui
Mapa com as atrações mencionadas aqui

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Impossível ver tudo em uma viagem só! E também é impossível ficar em apenas uma região do país, pois as cidades e pontos de interesse famosos são longe uns dos outros. Ou seja, será necessário viajar longas horas de trem ou pegar voos para se deslocar na China, não há escapatória!

Quanto tempo ficar dependerá do seu roteiro, mas diria que é necessário no mínimo 10 dias para conhecer o básico do país. E para montar o roteiro, sugiro incluir primeiramente Beijing, a Muralha e Shanghai, e, depois, ir acrescentando outros destinos de acordo com o seu tempo e orçamento.

Shanghai
Shanghai

Espero que tenha gostado das informações e dicas, e que elas tenham sido úteis! Aproveite para ler sobre Beijing, a Muralha da China, Suzhou, Shanghai, Xian e Hangzhou! E qualquer dúvida, deixe seu comentário!

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