Camboja: Siem Reap e os templos Angkor

Camboja: Siem Reap e os templos Angkor

Siem Reap é a cidade mais turística do Camboja e um dos destinos mais procurados pelos turistas no Sudeste Asiático inteiro! Isso porque Siem Reap, além de ser uma cidade bonita, agradável, com muita comida boa e barata, feirinhas e lojas de souvenir, é a porta de entrada para alguns dos templos mais lindos e fascinantes do mundo: Angkor Wat, Angkor Thom, Ta Prohm, Preah Khan, Banteay Kdei, entre muitos outros.

Como comentei no meu post introdutório sobre o Camboja, Siem Reap e os templos Angkor estão entre os lugares mais lindos e emocionantes em que já estive. E acho que só pelas fotos já dá pra entender o porquê…

Angkor Thom - Siem Reap, Cambodia (9)

Devido às muitas guerras e ao declínio do Império Khmer, Siem Reap e os templos estiveram nas mãos dos vizinhos tailandeses de 1794 a 1907. Depois disso, passaram ao controle dos franceses, que estavam colonizando o Camboja desde 1867 a pedido do rei, que queria proteger o país contra a Tailândia e o Vietnã.

Assim, foi apenas em 1907 que Siem Reap foi “descoberta” pelos franceses, recendo o status de cidade. E não demorou muito para que os templos ganhassem grande popularidade entre os europeus! Em 1929, foi inaugurado o primeiro hotel, e, nos anos 60, Siem Reap era um dos destinos mais turísticos da Ásia!

Contudo, com o regime do Khmer Vermelho na década de 70, a população de Siem Reap, bem como de outras cidades, foi movida para o campo, e a cidade e os templos ficaram abandonados até o início dos anos 90.

Hoje em dia, Siem Reap não para de crescer. A pequena vila se transformou em uma cidade ‘badalada’, com hotéis de todos os tipos, de hostels a resorts, restaurantes, lojas, feirinhas, agências de viagem, locadoras de veículos, casas de massagem… enfim, infraestrutura completa para acomodar os milhões de turistas que passam por lá todos os anos.

Siem Reap, Camboja (5)

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Ao norte do país; a 320 km da capital Phnom Penh, 150km da fronteira com a Tailândia, e 400km de Bangkok.

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O aeroporto internacional de Siem Reap (REP) fica a 6.5km do centro da cidade. Todos os voos que descem em Siem Reap vem de dentro do continente, portanto, não há voos diretos da Europa, África ou Oriente Médio para Siem Reap; a grande maioria deles passa por Bangkok.

Para sair do aeroporto, as únicas opções são táxis e tuk tuks. A corrida de táxi custa 7 dólares, e a de tuk tuk custa 5. Muitos hotéis, se não a maioria, oferecem serviço de transfer do aeroporto, então veja se não é o caso do seu!

Chegando por terra de Phnom Penh ou Bangkok, a maioria dos ônibus para numa estação a mais ou menos 7.5km do centro da cidade, e lá há vários táxis e tuk tuks esperando para levar os visitantes até seus hotéis. Na volta, para ir de Siem Reap a Phnom Penh ou Bangkok, muitas empresas de ônibus, ao você comprar a passagem, já oferecem o translado de tuk tuk até a estação.

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Essa é a estação de ônibus onde nós descemos, quando estávamos vindo de Phnom Penh a Siem Reap
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As ruas de Siem Reap mais afastadas do centro turístico ainda são precárias

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Não há sistema de transporte público em Siem Reap, então as únicas formas de se locomover são: táxis, tuk tuks, caminhando e alugando bicicletas. Quando chegamos a Siem Reap, tínhamos certeza de que seria muito fácil alugar uma scooter, como tínhamos feito no Vietnã – e depois fizemos na Tailândia e na Malásia, e que poderíamos ir até os templos por conta e fazer tudo sozinhos. Triste ilusão!

Não encontramos em nenhum lugar motos para alugar e logo entendemos o porquê: a máfia dos tuk tuks! Se as pessoas alugarem motos, os motoristas de tuk tuk perdem esses passageiros e a chance de fazerem tours, passeios que duram o dia inteiro, passeios para fora da cidade etc.

Então, se você é como eu, que não gosta de depender de ninguém, sinto em informar que em Siem Reap não há como escapar! Vi muuuuuita gente alugando bicicletas e indo até os templos pedalando, mas os templos são longe, o calor é intenso, e o sol é ardido; além de que isso demanda um bom condicionamento físico, o que nós não tínhamos, rs.

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A caminho dos templos

O jeito, então, foi pegar tuk tuks e caminhar muito! Para ir até os templos, deve-se combinar o valor para o dia inteiro, que geralmente é de 10 a 20 dólares. Nós pagamos US$12 e era apenas transporte, sem guia, tour, nem nada do tipo. O nosso motorista nos levava até os templos e combinava o horário de voltar para irmos ao templo seguinte, e assim por diante. Enquanto nós – e os demais turistas – passeávamos nos templos, os motoristas ficam dormindo dentro dos tuk tuks. Alguns eram tão bem-preparados que até penduravam uma rede no tuk tuk pra ficar mais à vontade…hahaha.

Observação importante: muito cuidado com golpes. Nós havíamos combinado com nosso motorista que o valor total do passeio seria US$12, mas no final do dia, quando ele foi nos cobrar, ele disse que era 12 por pessoa. Nós falamos que não, que era 12 pelo tuk tuk, e ele apenas ficou quieto (com uma cara de ‘gringos mão de vaca’) e aceitou o valor correto.

Preah Khan - Siem Reap, Camboja (11)

Motorista dormindo dentro do tuk tuk no centro de Siem Reap
Motorista dormindo dentro do tuk tuk no centro de Siem Reap

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Opções de hotéis é o que não falta! Os preços de quartos duplos privados (com banheiro privado) vão de US$7 (sim, isso mesmo, rs) numa guesthouse a US$600 num resort de luxo. A melhor localização é próxima da Pub Street, a rua com barzinhos, restaurantes, lojas e feirinhas, mas, onde quer que você se hospede, pode ter certeza que terão muitos tuk tuks na frente de seu hotel/guesthouse esperando para levar os hóspedes a qualquer lugar! Chega até a incomodar… impossível andar uma quadra sem ouvir pelo menos uns vinte “tuk tuk, sir?”, “tuk tuk, lady?”, hahaha.

A segunda coisa que mais se escuta é “massage, sir?”, “massage, lady?”. E, andando pelas lojinhas, as vendedoras (geralmente são mulheres) ficam falando pra todos os gringos que passam: “sir ladyyyy, T-shirt for yooooou” – esse “lady” e “you” eram bem prolongados, e todas falavam assim… até hoje essa frase está gravada na minha cabeça, “sir, ladyyy, T-shirt for yoooooou”, hahahaha. O assédio é tanto que inclusive há camisetas tirando sarro disso:

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Essa foto não é em Siem Reap, mas é a que mostrava melhor a tal da camiseta, rs

Mesmo com a camiseta, a galera continuava oferecendo tuk tuk e massagem, então não adiantou muito… Hahahaha!

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O coração do centro turístico de Siem Reap é a Pub Street, uma região – não apenas a Pub Street, mas também as ruas que a cruzam – com restaurantes, bares, pubs, cafés, hostels, lugares de massagem e feirinhas (Night Markets). O movimento maior é à noite, mas quase tudo funciona durante o dia também. Esse região, então, é sem dúvidas o melhor lugar para ir jantar, almoçar ou mesmo tomar café da manhã. As opções vão desde culinária local a tailandesa, indiana, chinesa, vietnamita, italiana… tem de tudo!

Siem Reap, Camboja (6)

Comida indiana na Pub Street
Comida indiana na Pub Street
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Barraquinhas de shakes de fruta é o que mais se acha pelas ruas de Siem Reap, principalmente na Pub Street
Cerveja local!
Cerveja local!

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Vou começar listando os templos que visitamos e, em seguida, as atrações no centro de Siem Reap.

Primeira coisa ao visitar os templos, é escolher como você vai chegar lá, de bicicleta, tuk tuk, ou com um tour. Há muitas agências de turismo em Siem Reap que organizam tours para os templos, que pode ser de tuk tuk ou ônibus/van, mas de qualquer jeito o motorista será alguém com bom nível de inglês e que vai contar a história do lugar, fatos interessantes, e quem sabe até tirar fotos pra você. No nosso caso, nós apenas queríamos o transporte, e pagamos US$12 pelo dia todo.

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O segundo passo é escolher quantos dias você precisa para visitar os templos. O ideal, acredito, seria dois dias, mas não há essa alternativa. As opções são 1, 3 ou 7 dias, que custam US$20, US$40 e US$60, respectivamente. Nós compramos o ingresso de 1 dia só e foi suficiente. Claro que foi um dia extremamente cansativo, mas pelo menos conseguimos visitar os templos mais famosos e ainda economizamos $$.

Vou listar aqui os templos em que nós fomos, mas existem muitos outros, como o Banteay Kdei, Phnom Bakheng, Ta Keo, Ta Som, East Mebon, Pre Rup e Neak Pean.

1. Angkor Wat, o mais famoso dos templos Angkor, é considerado o maior monumento religioso do mundo! É o símbolo do país, estampado na bandeira nacional.

Foi construído pelo rei khmer Suryavarman II no início do século 12 em homenagem ao deus hindu Vishnu. O templo, então, era inicialmente hinduísta, tendo sido transformado gradualmente em um templo budista, assim como é hoje. Na época, Angkor era a capital do Império Khmer, e Angkor Wat (‘angkor’ significa ‘capital’, e ‘wat’ quer dizer ‘templo’), seu templo mais importante.

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Angkor Wat - Siem Reap, Cambodia (2)

Angkor Wat - Siem Reap, Cambodia (5)

Angkor Wat - Siem Reap, Cambodia (13)

Angkor Wat - Siem Reap, Cambodia (10)
Para matar a sede e a fome, e quem sabe até comprar uns souvernirs, há várias barraquinhas ao lado do templo

Angkor Wat, Camboja

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2. Angkor Thom, que em khmer significa “Grande Capital”, foi a última capital do Império Khmer, construída pelo rei Jayavarman VII no fim do século 12. Na área cercada por seus muros estão diversos monumentos e templos, alguns mais antigos que a capital e outros construídos pelos sucessores do rei.

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Angkor Thom - Siem Reap, Cambodia (1)

Angkor Thom - Siem Reap, Cambodia (2)

Angkor Thom - Siem Reap, Cambodia (8)

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Angkor Thom - Siem Reap, Cambodia (13)

3. Ta Prohm, na minha opinião, é o mais fascinante de todos. A visão de longe do Angkor Wat é mais emocionante à primeira vista, mas esse templo, o Ta Prohm, com as raízes das árvores em meio às ruínas, é de ba-bar de lindo! É impressionante demais ver a força da natureza sobre o homem!

Ele foi fundado pelo rei Jayavarman VII no fim do século 12 como um monastério budista e universidade. Diferentemente dos demais templos Angkor, que foram restaurados, o Ta Prohm foi deixado exatamente do mesmo jeito em que foi descoberto, sete séculos depois de sua construção. Hoje, ele é um dos templos mais populares do complexo, tendo aparecido, inclusive, no filme Lara Croft: Tomb Raider, estrelado pela Angelina Jolie.

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Preah Khan - Siem Reap, Camboja

4. Preah Khan, dos 4 templos e complexos que visitamos, é o menos chamativo, mas ainda assim extremamente fotogênico! Também foi construído no fim do século 12 pelo rei Jayavarman VII.

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Mapa com os templos Angkor. Foto: Cambodia Tourism
Mapa com os templos Angkor. Foto: tourismcambodia.com

No centro de Siem Reap

A maior atração mesmo é a Pub Street, um lugar agradável para ir no fim do dia e descansar dos passeios, ficar à toa passeando pelas lojinhas e fazer massagem!

Os preços dos produtos começam em apenas 1 dólar e são negociáveis! Os vendedores já esperam que você pechinche; então, se te falarem US$5, pode baixar direto pra 1 ou 2, que eles vão deixar por US$3. Se você fingir que não quer e ir embora andando, baixam mais ainda, hehe. Essa técnica é infalível! Claro que às vezes não faz sentido negociar demais, afinal, para nós, 1 ou 2 dólares não faz muita diferença, mas para eles, 1 dólar é equivalente a 4000 riel (moeda local)! O que eu não gosto é quando as pessoas agem de má fé, como tentar vender coisas falsificadas por preços absurdos e aplicar golpes, mas cobrar 3 dólares por uma regata é aceitável. Por mais que a gente saiba que essa regata não vale nem 1 dólar, qual o problema de pagar um pouquinho a mais e ajudá-los a continuar trabalhando honestamente?

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Massagem é a coisa mais barata e divertida que você pode fazer em Siem Reap! Os preços começam em apenas 1 dólar para massagem nos pés por meia hora e vão aumentando de acordo com a duração, se for no corpo inteiro, se for com pedras quentes ou outras técnicas especiais etc. E a mais inusitada é a fish massage, que na verdade é mais uma sessão de cócegas do que massagem, hahaha. Nós pagamos US$2 cada um por meia hora, com direito a uma bebida (latinha de refrigerante ou água), ou seja, MUITO barato!

Nós já tínhamos visto essa massagem no dia anterior, e o Evandro ficou doido pra experimentar, mas eu tinha dito que não ia fazer isso nem ferrando! No dia seguinte, sei lá o que me deu que eu criei coragem e fui, rs. Na verdade, não é tão ruim quanto parece. Você primeiro lava os pés, daí coloca-os dentro do tanque e deixa os peixinhos comerem sua pele morta. Eles piram! Hahaha! No começo, dá uma agonia terrível porque os peixinhos vêm com tudo “atacar” seus pés, mas depois de um tempo acostuma… nunca deixa de ser uma sensação bizarra, mas pelo menos a agonia passa, rs. O pior mesmo são os peixes maiores, que são mais “dentuços”, e quando eles mordem o calcanhar, a sensação é de que alguém está te coçando com uma unha comprida HAHAHA!

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Repare no peixão atacando meu calcanhar direito, hahaha

Além da Pub Street, outras atrações em Siem Reap incluem museus, passeios de bicicletas, aulas de culinária, assistir a apresentações de dança local, visitar as vilas flutuantes, entre outras.

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A temporada alta é de novembro a março, quando não está tão quente e não chove muito. Em abril e maio é o pico do calor, e de junho a outubro, a temporada de chuvas. O pior mês é outubro, quando a cidade chega a alagar por alguns dias. Nós estivemos lá em fevereiro de 2015 e estava muito quente e seco.

Angkor Wat - Siem Reap, Cambodia (7)

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Nós ficamos apenas dois dias e conseguimos ver tudo o que queríamos. Acredito que o ideal, no entanto, seja três dias, para ter tempo de fazer tudo tranquilamente e aproveitar os passeios fora do centro turístico da cidade, como tours de bicicleta, por exemplo.

Angkor Temples, Cambodia

Espero que tenha gostado das informações e dicas, e que elas tenham sido úteis! E qualquer dúvida, deixe seu comentário!
Aproveite para ler também sobre Phnom Penh e a introdução com dicas gerais do Camboja!

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