Camboja: introdução e dicas de viagem

Camboja: introdução e dicas de viagem

Todos os lugares em que já estive têm um lugar especial no meu coração. Independentemente se minha experiência foi melhor ou pior, cada um me marcou de um jeito diferente e único, e sinto saudades e nostalgia de todos eles. Mas claro que alguns são mais emocionantes que outros, não apenas pela beleza do lugar, mas também pelo que ele me fez sentir, as emoções que despertou em mim.

Na lista de lugares que mais me marcaram estão o Grand Canyon, nos Estados Unidos; o Machu Picchu, no Peru; a Capadócia, na Turquia; o Deserto do Saara, no Marrocos; a experiência na Mongólia; a Grande Muralha da China; Chichen Itzá, no México; e, por fim, os templos Angkor em Siem Reap, no Camboja, país que vou introduzir neste post de hoje.

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Acho que nenhuma foto ou vídeo faz jus aos templos e te prepara para o que você realmente vai sentir ao vê-los pela primeira vez e caminhar por suas ruínas. É uma experiência daquelas que te transformam para sempre. E não são só os templos que impressionam, mas simplesmente estar lá, em meio a toda aquela história e ao povo que passou por tanto, mas segue amoroso, gentil e sorridente com seus visitantes. Assim é o Camboja: encantador em vários sentidos.

Por isso, se você estiver planejando uma viagem para o Sudeste Asiático, não deixe de colocá-lo em seu roteiro! E espero que lendo este post, e os seguintes sobre Siem Reap e Phnom Penh, fique mais fácil ainda planejar sua viagem 🙂

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Bandeira nacional

Nós estivemos no Camboja durante nossa viagem de 7 meses, em fevereiro de 2015, e nosso roteiro por essa região tinha sido: pegamos um ônibus de Ho Chi Minh (Vietnã) até Phnom Penh, capital do Camboja. De lá, pegamos outro ônibus até Siem Reap, e, depois, outro ônibus para Bangkok.

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Está localizado entre a Tailândia (do lado esquerdo) e o Vietnã (do lado direito), e embaixo de Laos. Suas praias são banhadas pelo Golfo da Tailândia. Entre os países do Sudeste Asiático, é o menor em território e possui o segundo menor IDH (ficando à frente apenas de Mianmar).

A região continental do Sudeste Asiático (Vietnã, Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia e Malásia Ocidental) também é conhecida por Indochina, nome que se refere às terras que sofreram influência cultural da Índia e da China e que estão geograficamente entre estes dois países – a China ao norte e a Índia a oeste.

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Sua população é de mais de 15 milhões de habitantes, o dobro da de Laos, metade da Malásia e um quarto da Tailândia.

Sobre a origem do povo cambojano e sua história, vou tentar resumi-la aqui:

Mais de 90% dos cambojanos são de etnia khmer, um dos grupos étnicos mais antigos da Ásia, que teriam chegado ao Sudeste Asiático 4 mil anos atrás. Foram eles que fundaram o Império Khmer, em 802, e dominaram a região por seis séculos (até 1431), quando, após perderem muitas guerras contra os tailandeses e vietnamitas, acabaram tornando-se vassalos dos povos vizinhos.

A fim de se livrar do domínio da Tailândia (então Reino de Sião) e do Vietnã, o rei do Camboja pediu ajuda à França, que colonizou o país por quase um século – a independência dos franceses só aconteceu em 1953.

Depois disso, durante a Guerra do Vietnã, o Camboja sofreu constantes bombardeios por parte dos Estados Unidos, que queriam dizimar os vietnamitas infiltrados na fronteira, e acabaram matando centenas de milhares de cambojanos.

A situação de instabilidade e de guerras abriu as portas à criação de um partido de cunho ultra nacionalista no Camboja: o Kampuchea. Esse partido comunista ficou conhecido por dar origem ao chamado Khmer Vermelho, que governou o país após a Guerra do Vietnã, em 1975. Liderado por Pol Pot, esse governo pretendia fazer uma reforma social e transformar a sociedade em puramente agrária e autossuficiente. Para isso, a população das cidades foi mandada aos campos e submetida a trabalho obrigatório, mas as tentativas frustradas de reforma agrária resultaram em fome por todo país. Além disso, com a ideia de autossuficiência, o governo descartou a medicina ocidental e levou à morte milhares de doentes que, com os devidos tratamentos, poderiam ter se curado facilmente.

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Pol Pot

Não bastasse tudo isso, o governo ainda torturava e assassinava as pessoas por motivos quaisquer, seja porque acreditavam serem contra o regime, por serem intelectuais, por serem de outra etnia, por serem religiosos, por serem “ocidentalizados”, por não estarem trabalhando o suficiente, enfim… qualquer razão era desculpa para dizimar a população. Estima-se que 2 milhões de pessoas morreram durante o regime do Khmer Vermelho, sendo o maior genocídio da história do Camboja.

Killing Fields, os campos onde as pessoas, inclusive crianças, eram executadas e enterradas
Killing Fields, os campos onde as pessoas, inclusive crianças, eram executadas e enterradas. Foto: buckettripper.com

Em 1978, o governo do Vietnã invadiu o país e depôs o regime do Khmer Vermelho, e o Camboja ficou dividido entre os vietnamitas, os integrantes do Kampuchea, os que apoiavam a monarquia e aqueles que receavam os vietnamitas por acreditarem que seus vizinhos iriam tomar controle do país. A situação apenas se ‘acalmou’ quando, em 1993, a monarquia constitucional foi restaurada.

Hoje em dia, o rei é Norodom Sihamoni, e o primeiro-ministro é Hun Sen, que está no governo há 25 anos. Após tantas guerras e destruição, o Camboja vem tentando se reerguer pouco a pouco, tendo alcançado uma estabilidade política e apresentado um bom crescimento econômico na última década. Apesar de ainda estarem lutando contra a pobreza e o passado sofrido que tiveram, os cambojanos são um povo sorridente e amoroso, que não mede esforços para agradar aqueles que vão ao país conhecer um pouquinho de seus costumes, sua culinária e sua história. É impossível não se emocionar com esse país, tanto pelos acontecimentos tão tristes de seu passado como pela beleza de seus templos, e carinho e simpatia de seu povo.

Phnom Penh, Camboja (3)
Imagem do rei em Phnom Penh

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Mais de 96% da população é budista terevada (assim como na Tailândia), sendo que as outras duas religiões mais praticadas são o islamismo (2.1%) e o cristianismo (1.3%). O budismo do Camboja sofreu grande influência do hinduísmo, o que faz com que seus templos sejam bastante diferentes dos de seus vizinhos tailandeses – e, por isso, é muito interessante visitar estes dois países e poder observar suas diferenças!

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Os cambojanos têm sua língua própria, o khmer, a única oficial do país. O alfabeto utilizado por eles, que também é chamado de khmer, é considerado o alfabeto ainda em uso mais antigo do Sudeste Asiático, tendo originado, inclusive, os alfabetos tailandês e laociano.

Até os anos 90, por conta da colonização francesa, o francês era falado por muitos cambojanos, sendo utilizado nas universidades, em jornais e alguns canais de rádio e TV. Contudo, hoje em dia, o inglês é o idioma estrangeiro mais falado pela população, sendo que placas de sinalização agora são bilíngues, em khmer e inglês – para o alívio e alegria dos turistas!

Nem sempre a tradução é muito boa, mas dá pra entender... hahaha
Nem sempre a tradução é muito boa, mas dá pra entender… hahaha

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O Camboja possui 3 aeroportos internacionais, um na capital Phnom Penh; um em Siem Reap, a cidade mais turística do país; e outro em Sihanoukville, a cidade costeira mais famosa.

Saindo do Brasil, as conexões mais comuns são pela Europa ou Oriente Médio e depois por Bangkok – por isso é muito fácil e conveniente unir Tailândia e Camboja numa mesma viagem!

Se já estiver na Ásia, a recomendação é sempre a mesma: Air Asia! Há voos para Siem Reap de quase todos os países do continente e com preços muito bons!

Por terra (ônibus), as opções são da Tailândia, do Vietnã e Laos. Nós entramos pelo Vietnã e saímos pela Tailândia, e as duas fronteiras foram tranquilas. Sei que podem rolar muitos golpes na fronteira, e que quase sempre os turistas são extorquidos no valor do visto, e é difícil escapar disso!

O importante é sempre chegar bem-informado para não sair (muito) no prejuízo. No nosso caso, nós não pesquisamos qual deveria ser o valor correto, e, quando compramos as passagens de ônibus de Ho Chi Minh (Vietnã) para Phnom Penh (Camboja), e nos ofereceram para providenciar o visto, nós apenas aceitamos e pagamos!

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O valor certo seria 30 dólares por pessoa, mas nos cobraram 35. Claro que não gostei de descobrir que paguei a mais, mas no final das contas, nós não tivemos incômodo nenhum! A gente não precisou de foto 3×4, formulário… nada! E nem sequer precisamos descer do ônibus na fronteira. Só entregamos nossos passaportes pro cara do ônibus e ele fez tudo por nós. Sei que dá muito medo entregar o passaporte pra qualquer um, mas às vezes é preciso confiar… rs.

Se você não quiser pagar esses 5 dólares a mais, é preciso bater o pé e insistir com o pessoal da empresa de ônibus que você quer fazer o processo por conta.

Outra opção é fazer o e-visa, por esse site aqui. Basta escolher por onde você vai entrar no país (nome do aeroporto ou a fronteira com qual país), preencher seus dados, pagar as taxas, esperar o visto pelo seu email e daí imprimi-lo!

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Na época em que fomos (fevereiro/2015), as linhas de trem existentes não estavam em boas condições, mas me parece que no ano passado uma nova linha foi inaugurada entre a capital Phnom Penh e Sihanoukville. Contudo, entre Phnom Penh e Siem Reap as únicas opções ainda são voando ou de ônibus.

Vale ressaltar que as estradas do país são muito precárias e, por isso, as viagens podem ser mais demoradas do que se planeja. Nós fomos de Phnom Penh a Siem Reap de ônibus, e o trajeto de aproximadamente 320km levou mais de 6 horas! É uma aventura! Rs

Entre Phnom Penh e Siem Reap, Camboja
Na estrada entre Phnom Penh e Siem Reap

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A moeda oficial do Camboja é o Riel (KHR), mas não há necessidade nenhuma de usar o dinheiro local, pois o dólar (USD) é aceito em tudo que é lugar. Achei isso muito estranho, pois, estando viajando há meses, o Camboja foi o primeiro lugar em que usamos dólares na viagem inteira! Primeiro eu fiquei desconfiada que, por mais que aceitassem dólares, a moeda local fosse utilizada sim, e os dólares fossem só para os turistas acabarem pagando mais na hora da conversão, mas não. Não precisa converter as moedas porque os preços em todos os lugares já estão em dólares. Desde barraquinhas vendendo shake de frutas, até supermercados, lojas, restaurantes e hotéis… tudo em dólar!

Nota de riel
Nota de riel

Também não tinha curtido essa ideia de usar dólares porque achei que, com isso, estaríamos gastando mais do que se estivéssemos usando a moeda local. Mais uma vez estava enganada, porque, mesmo em dólares, os preços eram MUITO baixos! Apenas não superou o Vietnã, mas o Camboja foi o segundo país mais barato em que já estive.

Para se ter uma ideia, nosso quarto de hotel (na verdade era uma guesthouse, mas o quarto era privado e com banheiro privado também) custava 9 dólares a noite, com café da manhã incluso!! A partir de 50 dólares já é possível ficar em um hotel 5 estrelas. Nas lojas e feirinhas, camisetas, blusinhas, regatas e até vestidos custavam de 2 a 5 dólares (dava pra pagar menos ou mais dependendo da sua vontade de negociar o preço). Um shake de frutas custava 1 dólar, massagens também a partir de 1 dólar, e por aí vai…

Phnom Penh, Camboja (10)

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Basicamente, há duas estações no país: a chuvosa, que vai de maio a outubro; e a seca, de novembro a abril. Já as temperaturas não variam muito (de 28 a 35°C), sendo quente o ano inteiro! Nós fomos em fevereiro e pegamos muito sol e calor!

Phnom Penh, Camboja
Praça em Phnom Penh

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A culinária cambojana é uma mistura da tailandesa, vietnamita, chinesa e com influência francesa (devido à colonização), sendo à base de muito arroz, noodles de arroz, frutos do mar, vegetais, curry e especiarias como cravo, canela, açafrão, gengibre, anis e noz-moscada.

Os pratos mais famosos são o amok, um tipo de sufflê de peixe cozido no vapor com leite de coco, cebolinha, capim-limão e outros temperos; e o kuy teav, uma sopa de noodles de arroz com carne de porco, vegetais, especiarias e servida com camarões.

Fish amok. Foto: Cambodia Tourism
Fish amok. Foto: Cambodia Tourism
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No Camboja também é possível experimentar carnes exóticas, como de cobra, tubarão, canguru (!), entre outras. Esse hambúrguer do Evandro é de carne de crocodilo

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1. Siem Reap é de longe o destino mais visitado do país, sendo também a cidade com a melhor infraestrutura para o turismo.

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2. Phnom Penh, a capital do país, apesar de não ser tão conhecida como Siem Reap, tem muito a oferecer aos turistas.

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3. Koh Rong, a ilha mais famosa do país, tem acesso pela cidade Sihanoukville, que também é um destino muito procurado pelos visitantes.

Foto: kohrongisland.org
Foto: kohrongisland.org

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Em Phnom Penh, 1 ou 2 dias são suficientes. Em Siem Reap, diria que no mínimo três dias. E nas praias/ilhas, depende de quanto tempo se quer relaxar e curtir o mar, pois elas não têm atrações de fato, além de curtir o sossego, rs. Em menos de uma semana, então, é possível conhecer o melhor do Camboja!

Angkor Wat - Siem Reap, Cambodia (3)

Espero que tenha gostado das informações e dicas, e que elas tenham sido úteis! E qualquer dúvida, deixe seu comentário!
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