Como visitar a Grande Muralha da China: MuTianYu e outras seções

Como visitar a Grande Muralha da China: MuTianYu e outras seções

A primeira coisa que se deve saber sobre a Grande Muralha da China antes de visitá-la é que: ao contrário do que muitos pensam, ela não é uma linha contínua, mas consiste de vários segmentos, e cada um deles tem seu próprio nome.

No título deste post está o nome do segmento que nós conhecemos, MuTianYu ou Mutianyu, mas há muitos outros que podem ser visitados, e vou falar mais sobre eles adiante.

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Acho que não preciso explicar por que deve-se visitar a Grande Muralha da China, certo? Patrimônio histórico da humanidade, uma das 7 maravilhas do mundo, a muralha mais extensa do planeta e com uma história de mais de 2000 anos. Adjetivo nenhum faz jus à beleza e grandiosidade daquela que é a maior atração da China, e talvez até da Ásia!

Vê-la com meus próprios olhos foi um dos pontos altos da nossa viagem, um momento marcante e simplesmente inesquecível. A Grande Muralha entrou para a minha lista de lugares que mais me emocionaram, juntamente do Grand Canyon, nos Estados Unidos; o Machu Picchu, no Peru; a Capadócia, na Turquia; o Deserto do Saara, no Marrocos; a experiência na Mongólia; Chichen Itzá, no México; e os templos Angkor no Camboja.

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A construção da Grande Muralha começou no período pré-histórico, no ano de 770 a.C., e foi sendo ampliada e unificada ao longo de seis dinastias e 2300 anos – a última dinastia que construi novas seções da muralha e que reconstruiu/restaurou as mais antigas foi a Ming, que durou até o ano de 1644.

Foi durante essa dinastia, inclusive, que foram construídos ou reformados os segmentos próximos de Beijing mais visitados pelos turistas, como Mutianyu, Jinshanling, Badaling, entre outros.

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Somando todas as suas seções, a Grande Muralha da China mede incríveis 21.196 km! Desse total, contudo, estima-se que 30% da muralha foi destruída pela erosão e pela ação humana, tendo desaparecido completamente. Algumas partes estão em condições bastante precárias, enquanto outras foram totalmente restauradas.

A reconstrução da muralha nos tempos modernos teve início em 1957, quando a seção Badaling foi aberta ao público como atração turística.

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E por que e como a muralha foi construída afinal de contas?

Antes de a China ser um território unificado, havia vários estados que lutavam entre si para conquistar cada vez mais terras e expandir seus domínios. Os donos das terras, então, começaram a construir muros e torres de vigia para se defenderem de invasões dos demais estados.

Parte mais "rústica" da Mutianyu
Parte mais “rústica” da Mutianyu

Quando a China se tornou uma só no início da dinastia Qin em 221 a.C., o primeiro imperador decidiu unir os segmentos da muralha que estavam nos estados do norte a fim de proteger o império dos vizinhos mongóis. Deu-se origem, então, à Grande Muralha propriamente dita, que, nessa época, tinha chegado aos 5.000 quilômetros de extensão. A obra de unificação da muralha levou 9 anos e necessitou de um milhão de trabalhadores (que consistiam em criminosos, soldados e pessoas comuns). As seções ao sul que não fizeram parte da Grande Muralha acabaram sendo destruídas ou simplesmente abandonadas.

Na dinastia seguinte, a Han, que se iniciou em 206 a.C., o imperador Han Wudi abriu a Rota da Seda (Silk Road) para a exportação de seda no Ocidente e expandiu ainda mais a Grande Muralha para manter a proteção de seu território. Nessa época, ela já contava com mais de 8.000 quilômetros.

Veja no mapa a seguir as partes da Grande Muralha construídas durante cada dinastia:

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Ver imagem ampliada aqui

Depois da época de ouro da dinastia Han, várias outras seguintes continuaram ampliando a muralha e restaurando suas seções.

Na dinastia Song (960-1279), contudo, apesar de vários novos segmentos serem construídos para proteger o povo chinês das invasões do norte, a Grande Muralha não conseguiu segurar seus invasores, e a China, pela primeira vez em sua história, passou a ser controlada inteiramente por outro povo, os mongóis.

Foi apenas em 1368, durante a dinastia Ming, que os chineses conseguiram recuperar seu território do Império Mongol e retomaram a construção da Grande Muralha. Como eu comentei antes, as seções mais conhecidas e visitadas foram construídas ou restauradas na dinastia Ming.

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E como escolher qual seção da muralha visitar?

Para uma primeira visita, os segmentos escolhidos pela maioria dos turistas são a Badaling e a Mutianyu, pois ambos são de fácil acesso vindo de Beijing e têm uma boa infraestrutura. A Badaling é mais popular entre os chineses, enquanto que a Mutianyu é a preferida dos estrangeiros (como nós, rs). Vou listar aqui a diferença geral entre cada uma das seções mais famosas próximas de Beijing:

  • Mutianyu – a 73km de Beijing; quantidade moderada de turistas; tem teleférico e tobogã;
  • Badaling – a 72km de Beijing; é a seção mais lotada de turistas; tem teleférico, museu e acesso para cadeirantes;
  • Jinshanling – a 154km de Beijing; é a mais popular para aqueles que querem fazer trilha/escalada; está semi-restaurada; é considerada a seção mais bonita;
  • Jiankou – a 100km de Beijing; não foi restaurada, completamente original; é bastante íngreme e não tem infraestrutura;
  • Huanghuacheng – a 75km de Beijing; alguns trechos estão imersos na água; é possível fazer um cruzeiro pelo lago Haoming;
  • Juyongguan – a mais próxima de Beijing, a 60km; sua maior atração é um enorme e importante forte que protegeu Beijing de invasões; possui acesso a cadeirantes;
  • Shanhai Pass – a cerca de 300km de Beijing; é o ponto em que a Grande Muralha encontra o mar.

Veja o mapa abaixo com a localização dessas e de outras seções da muralha:

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Imagem: chinahighlights.com

Nós escolhemos a Mutianyu porque sabíamos que ela era a segunda mais popular – a Badaling é “badalada” demais (entenderam? Badaling badalada? rs), mas, numa próxima visita eu com certeza escolheria as seções menos turísticas. O legal mesmo deve ser visitar todas, não é mesmo? Cada segmento tem seu encanto, sem dúvidas!

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Beijing é o principal ponto de partida para qualquer passeio à Grande Muralha. A seção mais popular entre os chineses é a Badaling, que tem acesso rápido e prático utilizando o transporte público. Há três opções simples: o ônibus 877, que sai da estação Deshengmen e custa CNY 12; o Tourist Bus Line 1, que sai da Quianmen Arrow Tower (ao sul da praça Tiananmen) e custa CNY 20; e trem, que sai da estação Huangtudian Railway Station e vai até a Badaling Railway Station e custa apenas CNY 6 – da estação até a bilheteria são uns 15-20 minutos de caminhada, mas é possível pegar um shuttle se você não quiser ir andando.

Para a MuTianYu, nós pegamos um tour no hostel onde estávamos hospedados. O passeio com transporte, café da manhã, almoço, guia e entrada para a muralha/teleférico custou CNY 280. Se nós tivéssemos feito o passeio por conta (sem considerar as refeições), poderia ter nos custado 100 yuan a menos para cada um, mas resolvemos pegar o tour mesmo assim pela facilidade e conveniência.

Entrada para a Mutianyu
Entrada para a Mutianyu

Para chegar à Mutianyu por conta, é preciso ir até a estação Dongzhimen e, de lá, pegar o ônibus 916 Express, que custa CNY 12 e leva pouco mais de 1 hora para chegar à estação Huairou Beidajie Station. Lá, é possível pegar um táxi, uma minivan (há várias esperando os turistas), ou outro ônibus (h23, h24, h35 ou h36) até a Mutianyu Roundabout. Depois, é necessário caminhar uns 450 metros até a bilheteria – o táxi e a minivan já deixam diretamente lá. O valor da minivan é entre CNY 50 e 60.

O ingresso para a muralha custa CNY 45 e para subir de teleférico custa CNY 80. Se comprar a ida e a volta, o valor é CNY 100, mas há outra opção para descer: o tobogã, que também custa CNY 80.

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Esse tobogã é como um escorregador que você desce em cima de um “trenó”, controlando a velocidade com um freio, que você deve soltar ou puxar dependendo se quer ir mais rápido ou devagar. A velocidade máxima é de 30km/h.

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Fazendo os cálculos, então, ir por conta até a Mutianyu pode custar entre 180 e 270 – e nós pagamos CNY 280 pelo tour com tudo incluso! A decisão entre as duas opções (transporte público ou tour) depende do quanto você está disposto a desembolsar e se você prefere ter mais conforto ou mais liberdade. O lado ruim dos tours é que o tempo “padrão” que eles dão para você ficar na muralha é de 3 horas. É um tempo razoável, mas só o fato de ter um tempo certo e ficar se preocupando com o horário é frustrante… eu acho pelo menos, rs.

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O roteiro do nosso tour tinha sido: tomamos café da manhã no hostel (que estava incluso no preço), nos buscaram às 8h e chegamos à Mutianyu às 10h. Foi mais ou menos meia hora até o ônibus buscar todo mundo (36 pessoas) em seus hotéis e mais 1h30 de viagem.

Tivemos das 10:30 às 13:30 para conhecer a muralha e, depois que descemos, tivemos o almoço e voltamos para Beijing. Chegamos ao nosso hostel perto das 17h.

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Observação importante: visitar a Grande Muralha da China não é uma tarefa fácil!! Quem vê as fotos tão lindas e impressionantes não para pra pensar que a muralha é um constante subir e descer de escadas! Pode perceber nas fotos: não há nenhuma parte plana sequer! Há trechos mais íngremes e outros menos íngremes, mas linhas planas não existem! Ou você está subindo escadas e rampas, ou você está descendo – não tem meio termo, hahaha!

Isso me pegou de surpresa! Apesar de parecer óbvio (é só prestar atenção em qualquer imagem da muralha), quando me deparei com todas aquelas subidas e descidas fiquei morta de cansaço só de olhar, hahaha.

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Não foi fácil… hahahaha
Morta de cansaço hahaha
Moooorta, hahaha

Minha dica: leve bastante água, não se agasalhe demais (porque essas escadarias dão uma suadeira danada, hahaha) e leve comida também, pois todo esse exercício dá fome! E, por último, curta a paisagem, porque todo esforço vale a pena!

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Cada estação proporciona uma visão bastante diferente da muralha. O verão (de junho a agosto) é a época mais quente e a mais lotada de turistas – e Badaling é a seção mais concorrida! Os hotéis sobem seus preços e ficam esgotados rapidamente. Além disso, no verão a probabilidade de chuvas é muito maior que nas demais estações.

Na primavera (março a maio), o tempo é mais agradável, com temperaturas entre 11 e 24°C, e não está tão cheio de turistas.

O outono (setembro a novembro) também é uma boa época para quem quiser evitar as multidões da metade do ano e pegar temperaturas mais amenas (entre 8 e 18°C), além de serem os meses mais coloridos, quando as folhas das árvores variam entre tons de vermelho, alaranjado, amarelo e marrom.

Já a estação que menos atrai os turistas à Grande Muralha é o inverno (dezembro a fevereiro), pois faz bastante frio!

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Nós fomos no começo de janeiro e pegamos dias ensolarados, mas geladíssimos! No dia em que fomos à Muralha estava fazendo por volta de 7°C. Estávamos bem agasalhados, mas depois de tanto subir e descer escadas, até deu calor, rs!

As estações mais recomendadas são primavera e outono, mas eu gostei da paisagem de inverno, e não achei o frio tão pesado. Tudo depende da tolerância de cada um ao frio/calor e a preferência por épocas mais vazias ou mais movimentadas.

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Como eu disse antes, o nosso tour só nos permitiu ficar 3h ao todo na muralha (contando o tempo do teleférico para ir e para voltar). Quando nós chegamos lá em cima, tínhamos dois lados para visitar: um que era mais plano (e o tobogã ficava pra esse lado) e outro que era mais íngreme e tinha partes não restauradas – e foi esse lado que escolhemos, pois parecia uma vista mais bonita.

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Trechos não restaurados da Mutianyu

Achamos que iria dar tempo de conhecer os dois lados e ainda descer de tobogã, mas acabou não dando – fiquei bem frustrada com isso (por isso não gosto de tours! haha). Mas, para quem não tiver interesse em caminhar por tudo e em descer de tobogã, acredito que 3 horas seja tempo suficiente.

O passeio total leva cerca de 7h, ou seja, separe um dia inteiro para a Grande Muralha da China! – mesmo se você voltar cedo do passeio (no começo da tarde), tenho certeza que suas pernas não vão aguentar muitas outras ‘andanças’ nesse dia, rsrs.

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Espero que tenha gostado das informações e dicas, e que elas tenham sido úteis! Aproveite para ler sobre a Beijing, Suzhou, Shanghai, Xian, Hangzhou, a introdução sobre o país e o guia completo da culinária chinesa! E qualquer dúvida, deixe seu comentário!

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