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Malásia: sobremesas típicas

Os asiáticos têm um paladar bastante peculiar para doces. Um bom exemplo é que para eles feijão é sobremesa, e não prato principal.  Existem várias sobremesas que incluem feijão, inclusive sorvetes, iogurtes e milkshakes. (Ah, mesma coisa com o milho!) Nojento? Sim, muito. Mas aqui é normal, vai entender…

Uma dessas sobremesas é o ABC (Air Batu Campur – mix de gelo, literalmente), uma raspadinha de gelo servida com (prepare-se) feijão (claro, eu já tinha avisado), milho, grass jelly (umas bolinhas de gelatina que não têm gosto nenhum), um xarope cor-de-rosa e, por cima de tudo, leite condensado pra tentar dar uma ajudada no sabor (mas não ajuda não…), e pode vir acompanhado de uma bola de sorvete (o que talvez melhore, mas duvido muito).

A cara de feliz é porque ele não tinha experimentado ainda.

A cara de feliz é porque ele não tinha experimentado ainda. Ps.: o feijão e o milho estavam no fundo.

ABC.

Outra sobremesa esplêndida típica da Malásia é o Cendol, uma espécie de “canjica” de leite de coco, jelly noodles (gelatina feita de farinha de arroz com corante verde), gelo e açúcar, e que pode conter feijão (não disse?), milho e arroz. Confesso que nunca tive coragem de experimentar o cendol (o ABC eu apenas experimentei porque não sabia que tinha feijão e milho dentro, achei que era uma singela raspadinha de gelo, mas fui enganada).

Parece uma delícia, só que não.

Parece uma delícia, só que não.

Para completar as bizarrices, outra coisa considerada sobremesa para os malaios é o durian (uma fruta parecida com a jaca, mas com gosto e cheiro muito mais marcantes).

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Aqui, vários doces são feitos a partir do durian, e ele (ou ela? sei lá) também é apreciado puro muitas das vezes, o que leva a um problema: talvez vocês não esteja familiarizado com o cheiro do durian (eu mesma não conhecia até vir pra cá), mas é horrível, pra dizer o mínimo. Tão horrível que é proibido entrar com durian dentro de trens, ônibus e elevadores. É sério, eu tenho provas!

Placa dentro do hotel onde ficamos hospedados aqui em Kuala Lumpur.

Placa dentro do hotel onde ficamos hospedados aqui em Kuala Lumpur.

Placa na estação de metrô em Singapura (aqui na Malásia também há placas como essa).

Placa na estação de metrô em Singapura (aqui na Malásia também há placas como essa).

O que não entendo é, se o cheiro do durian é tão ruim a ponto de ser proibido em lugares fechados, como as pessoas podem gostar tanto dele?

Loja de sobremesas feitas com durian. É possível sentir a catinga de longe, e ficar perto dessas lojas é só para os corajosos.

Loja de sobremesas feitas com durian. É possível sentir a catinga de longe, e ficar perto dessas lojas é só para os corajosos.

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Malásia: pratos típicos

Pelo fato de os muçulmanos não poderem comer carne de porco, ela não é usada na maior parte dos restaurantes na Malásia; já a carne de gado é cara, pois é importada principalmente da Austrália; e carne de carneiro é utilizada geralmente nos restaurantes árabes; então, a culinária malaia se baseia especialmente em frutos do mar e frango, além de arroz (como todo bom asiático) e vegetais. Os pratos chineses, por outro lado, contêm bastante carne de porco, e os pratos indianos, quando não são vegetarianos (a maior parte é), contêm frango (nunca carne de gado).

O prato mais famoso da culinária malaia é o Nasi Lemak. Nasi significa arroz e lemak literalmente quer dizer “gordo”, no sentido, então, de um arroz cremoso, já que ele é cozido em leite de coco. O prato é normalmente servido com anchovas, pepino, ovo cozido, amendoins e uma pasta feita de chili.

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Outros pratos típicos são:

Sateh, espetinhos de frango, carne de gado ou de carneiro servidos com uma pasta doce de amendoim;

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Nasi Goreng, arroz frito, comum em vários países da Ásia;

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Nasi Ayam, arroz com frango, talvez o prato mais comum por aqui;

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Curry Laksa, uma sopa à base de pimenta, leite de coco, gengibre e açafrão, servida com noodles, camarão, tofu, fish balls (um “nuggets”de peixe em formato de bolinha) e ovo cozido (sim, uma loucura!);

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Mee Rebus, uma sopa de noodles à base de pimenta e molho de tomate, servida com vegetais, carne e ovo cozido.

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Há também os pratos típicos dos mamaks, restaurantes indianos-muçulmanos (uma mistura da culinária malaia com a da Índia), como:

Roti Canai, “pão achatado” literalmente, é como uma panqueca, geralmente acompanhado de molhos feitos de curry;

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Tandoori Chicken, um churrasco de frango, preparado com iogurte, pimenta, cebola, alho, gengibre e outros temperos, e geralmente acompanhado de naan (pão);

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Thosai, parece um crepe (só que mais crocante) e pode ser recheado (o meu favorito é o de batata) ou servido puro com molhos de curry;

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Teh Tarik, a bebida mais popular da Malásia, que literalmente significa “chá puxado” (devido ao modo como ele é feito), trata-se de chá preto e leite condensado.

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Já na culinária malaia-chinesa, os pratos mais comuns são:

Char Kuey Teow, noddles fritos com camarão, broto de feijão e cebolinha;

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Wan Tan Mee, noodles e carne de porco, acompanhado de uma sopa com dumplings (pastéis cozidos no vapor e recheados de carne e vegetais).

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Dois lanches comuns na Malásia são os curry puffs, pastéis fritos recheados de batata, frango, ovo cozido e curry;

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Kaya toast (que na verdade veio de Singapura), torrada de manteiga e kaya (uma geleia de coco, mel e ovo), servida com ovos e café com leite condensado.

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Malásia: introdução

Centro histórico de Penang, a segunda maior cidade da Malásia.

Centro histórico de Penang, a segunda maior cidade do país.

A Malásia faz parte do Sudeste Asiático, juntamente da Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos, Mianmar, Singapura, Indonésia, Filipinas, Brunei e Timor-Leste, sendo a Tailândia o país mais famoso da região e provavelmente o mais visitado por estrangeiros.

Apesar de a Malásia fazer fronteira com a Tailândia, estes dois países têm muito pouco em comum. Ano passado, quando vim para a Ásia pela primeira vez, nosso roteiro tinha sido Mongólia – China – Vietnã – Camboja – Tailândia – Malásia – Singapura, e quando entramos na Malásia, senti logo de cara uma diferença gritante dos demais lugares, principalmente por dois motivos: o primeiro é que, diferente destes países que citei agora, que são budistas em sua grande maioria, na Malásia a religião predominante é o islamismo; e o segundo motivo é que a população da Malásia é composta por 3 principais etnias: os próprios malaios, os chineses e os indianos, então, em comparação com seus países vizinhos, a Malásia tem uma diversidade cultural muito maior.

Indianas e muçulmanas em templo hindu - Batu Caves.

Indianas e muçulmanas em templo hindu – Batu Caves.

Dados rápidos

Clima: quente e úmido o ano todo, e a temperatura varia somente de 25 a 35 graus (nestes 4 meses que estamos aqui a única vez que precisei usar casaco e calça foi para enfrentar o ar condicionado do cinema). Além disso, só há duas estações: seca (junho-agosto) e chuvosa (restante do ano).

População: aproximadamente 30 milhões de habitantes, sendo 50.4% malaios, 23.7% chineses, 7.1% indianos e o restante de outros grupos étnicos. Curiosidade: Malay é o nome dado ao povo nativo da Malásia, e Malaysian designa todas as pessoas nascidas na Malásia. Os chineses e indianos, portanto, são malaysian, mas não malay.

Idioma: o malaio (Bahasa Melayu) é a língua oficial, mas o inglês também é falado por grande parte da população.

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Política: a Malásia é uma monarquia eletiva constitucional; o chefe de Estado é o rei e o chefe de governo é o primeiro-ministro.

Putrajaya é o centro administrativo do país.

Putrajaya é o centro administrativo do país.

Área: o território compreende a parte sul da Península da Malásia (logo abaixo da Tailândia) e a parte norte da ilha de Bornéu (o restante da ilha pertence à Indonésia), somando 329, 758 km² (um pouco menor que o estado do Mato Grosso).

Religião: o islamismo é a religião oficial, praticado por 61.3% da população; em seguida vem o budismo (19.8%), o cristianismo (9.2%) e o hinduísmo (6.3%). Em Kuala Lumpur, para exemplificar essa diversidade de crenças, é possível encontrar numa mesma quadra um templo budista, um templo hindu e uma mesquita.

Templo hindu - Penang.

Templo hindu – Penang.

Templo budista - Penang.

Templo budista – Penang.

Mesquita - Putrajaya.

Mesquita – Putrajaya.

Moeda: Ringgit (abreviado como RM) é o nome da moeda malaia, e a conversão para o real (hoje – dia 28/10/2016) está de 1 ringgit = 0.75 reais.

Colonização: britânica (por isso usa-se a mão inglesa e o inglês é falado pela maioria das pessoas); a independência foi em 1957.

Capital: Kuala Lumpur, com aproximadamente 1.7 milhões de habitantes.

Petronas Towers, Kuala Lumpur.

Petronas Towers, Kuala Lumpur.

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Ásia: curiosidades

Em qualquer lugar da Ásia (todos os países que visitamos até agora), as pessoas tiram os calçados antes de entrar em suas próprias casas, na casa dos outros, templos e qualquer outro lugar privado. Acho isso simplesmente maravilhoso, um exemplo para todas as outras culturas. No Brasil, quando tinha que chamar um técnico/eletricista/encanador ou algo do tipo para ir na minha casa arrumar alguma coisa, meu primeiro pensamento era “que droga, ele vai entrar com o sapato e sujar todo meu chão limpinho”. Já na Ásia isso não acontece. Assim que nos mudamos para Kuala Lumpur, chamamos um técnico para instalar internet no apartamento, e, pela força do hábito, pensei no chão que ele iria sujar ao entrar com sapato. Preocupação à toa, pois ele tirou os sapatos do lado de fora do apartamento e deixou-os no corredor. Aí sim!

Sapatos deixados do lado de fora - Kuala Lumpur, Malásia.

Sapatos deixados do lado de fora – Kuala Lumpur, Malásia.

Se os asiáticos comem insetos ou não, eu não sei dizer porque não vi em absolutamente nenhum lugar. Vi para vender (na China e na Tailândia), mas nunca nenhuma pessoa local comendo. Minha teoria é que barraquinhas vendendo insetos em palitos como se fossem espetinhos são pura e simplesmente para chamar a atenção dos turistas estrangeiros e ganhar dinheiro em cima deles, pois até tirar foto dos “espetinhos” era cobrado. Então eu duvido muito que hoje em dia alguém realmente coma aranhas, escorpiões, bichos-da-seda etc., mas deixo fotos aqui como prova de que pelo menos existe à venda.

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Espetinhos à venda em Beijing, China.

Espetinhos à venda em Beijing, China.

Os asiáticos no geral são muito curiosos com relação aos estrangeiros e gostam de saber sobre nós, de onde somos, se estamos gostando do país deles, o que estamos fazendo ali, o que já tínhamos conhecido no país etc. etc. Na China nos sentíamos como celebridades. Como a maioria da população não fala inglês, ou tem um nível muito básico de inglês, quase ninguém se arriscava em conversar com a gente, mas em compensação não tinham vergonha nenhuma em tirar nossa foto, seja escondido, seja na nossa cara ou nos pedindo permissão. Eles nos abordavam fazendo gestos, tentavam falar “photo” e posavam do nosso lado para a foto. Às vezes os homens queriam tirar foto só com o Evandro e as mulheres comigo, mas geralmente era com nós dois ao mesmo tempo.

Isso também acontece bastante aqui na Malásia. Na última vez que estivemos aqui, durante a viagem de 7 meses no ano passado (2015), estávamos num parque quando um casal nos abordou pedindo para tirar foto com a gente. Era um casal, e a mulher posou com nós enquanto o marido ou namorado tirava a foto. O mais engraçado foi que, antes da foto, a mulher me perguntou séria, num inglês meio limitado: “Can I touch your boyfriend?”. Eu segurei a risada e respondi “Sure, go ahead”, enquanto o Evandro me olhava com uma cara de “Como assim??”. Pela pergunta, eu achei que ela iria no mínimo dar um abraço nele, mas não, ela me pediu permissão só pra por a mão na cintura dele enquanto tirava a foto. Depois, ela agradeceu pela foto e completou: “Sorry I touch your boyfriend”. Bem-educada.

Casal me conferindo em Nanning, China.

Casal me conferindo em Nanning, China.

Os banheiros públicos na Ásia (e também no Marrocos e na Turquia, dos lugares onde fomos) são no chão. Existem vários modelos diferentes, uns com descarga normal, outros com descarga “manual”, uns com lugar para apoiar os pés, outros sem, e por aí vai… Em cidades grandes e turísticas, em aeroportos e em shoppings, há as duas opções de banheiro, o assento sanitário como estamos acostumados e o no chão. E nos hotéis e hostels só tem o assento sanitário mesmo, para alívio dos ocidentais.

A descarga neste tipo de banheiro (comum na Tailândia) é o balde. Você deve encher a caneca (ou sei lá que nome dar pra isso) com a água do balde e jogar no vaso quantas vezes precisar.

A descarga neste tipo de banheiro (comum na Tailândia) é o balde. Você deve encher a caneca (ou sei lá que nome dar pra isso) com a água do balde e jogar no vaso quantas vezes precisar.

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A primeira vez que vi um destes banheiros no chão foi no Marrocos e fiquei chocada e morrendo de nojo para dizer a verdade. Rezei (apenas maneira de dizer) pra que nunca precisasse fazer o número 2 num banheiro desses, mas aconteceu. Foi inevitável, e lembro deste momento como se fosse hoje. Foi na China (escapei no Marrocos, na Turquia e na Mongólia), e não foi qualquer número 2, e sim uma dor de barriga horrorosa numa estação de trem em uma cidade minúscula, ou seja, quando a cólica apertou, eu sabia que as chances de encontrar um banheiro do tipo ocidental seriam mínimas. E, realmente, só tinha o modelo no chão. Ah, mais um detalhe! Os asiáticos não usam papel higiênico, e sim uma mangueira para se limpar. Resumindo, foi uma experiência traumatizante. E não foi a única! O bom é que depois de um tempo, você pega o jeito da coisa, e, pensando bem, faz muito mais sentido usar o banheiro no chão, afinal, se agachar para fazer as necessidades é o jeito natural… nós, ocidentais, que somos preguiçosos e não queremos trabalhar os músculos da perna…

Já neste tipo de banheiro (comum na Malásia), existe a descarga e a mangueira serve para você se limpar, já que o papel higiênico não é utilizado.

Já neste tipo de banheiro (comum na Malásia), existe a descarga e a mangueira serve para você se limpar, já que o papel higiênico não é utilizado.

 

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Ásia: segurança

Fico feliz em dizer que me senti segura em todos os lugares em que estivemos na Ásia, inclusive mais que em muitas cidades europeias. Acho que muitas pessoas deixam de visitar a Ásia por medo de ser um lugar exótico demais, com comidas muito diferentes, dificuldade em se comunicar, criminalidade, golpes em turistas e vários outros tipos de preconceitos que não se justificam na realidade.

Andando de tuk-tuk em Siem Reap, Camboja.

Andando de tuk-tuk em Siem Reap, Camboja.

A Ásia é de fato um destino exótico, mas está longe de ser um dos mais perigosos para turistas, muito pelo contrário. Foi nos países asiáticos onde mais viajamos de trem, ônibus, van, tuk-tuk e outros meios de transporte alternativos, onde mais comemos comida de rua, onde mais caminhamos a pé, onde mais fizemos passeios por lugares inusitados, onde mais ficamos em hotéis e hostels “duvidosos”, e, ao mesmo tempo, onde mais nos sentimos bem-acolhidos e seguros.

Fronteira China-Vietnã.

Fronteira China-Vietnã.

A estrutura para o turismo, principalmente no Sudeste Asiático (Vietnã, Camboja, Tailândia) é muito boa, e os estrangeiros são mais que bem-vindos, sem falar que tem muitos, mas muitos turistas nessa região, então se ficar nas áreas mais turísticas você provavelmente nunca vai ser o único gringo do pedaço.

Trem na Tailândia.

Trem na Tailândia.

Cada experiência é única, e não digo que nada de ruim pode acontecer a um turista na Ásia, mas essa é uma questão de “feeling”, e só posso dizer que senti (e sinto) mais segurança na Ásia do que em meu próprio país. Vale a pena destacar também que não é recomendável em nenhum lugar do mundo ficar “dando bandeira” demais, confiar em qualquer pessoa que vier conversar com você, carregar coisas de valor pra lá e pra cá etc. Bom senso é fundamental, e desconfiômetro também.

Estação de trem na China. Parece mais um aeroporto, não?

Estação de trem na China. Parece mais um aeroporto, não?

Por mais que não haja muitos assaltos a turistas em um país, é normal ter gente tentando passar a perna nos viajantes mais ingênuos e inexperientes, como cobrar um valor muito mais caro por produto, vender produtos falsificados pelo preço de original e coisas do tipo. Como eu disse, isso vale pra qualquer lugar, não só para a Ásia. Assista ao programa Capitais do Delito (Scam City) e veja por si mesmo.

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Ásia: alimentação

Antes de vir para a Ásia, minha noção de comida asiática era basicamente sushi, sashimi, yakisoba, frango xadrez e quaisquer outras opções em cardápios de restaurante supostamente japoneses e chineses. Claro que a minha percepção melhorou muito depois que conheci o Evandro e, como ele já tinha ido para a Ásia, me contou como a comida de lá realmente era, mas, mesmo assim, a surpresa foi bastante grande.

Sopas com macarrão de arroz, carne e vegetais, água de coco e vitamina de abacate - Ho Chi Minh, Vietnã.

Sopas com macarrão de arroz, carne e vegetais, água de coco e vitamina de abacate – Ho Chi Minh, Vietnã.

A culinária asiática varia demais de país a país, então é difícil descrever todas como se fossem uma só, mas no geral os asiáticos comem muita sopa, macarrão (não o do tipo italiano, claro), vegetais e adivinha o que mais? Arroz, arroz e dá-lhe arroz. A comida também é muito saborosa, com alguns temperos e especiarias um tanto exóticos para o nosso paladar ocidental.

Sopa de noodles, carne e vegetais e pasteizinhos fritos de carne - Ulaanbaatar, Mongólia.

Sopa de noodles, carne e vegetais e pasteizinhos fritos de carne – Ulaanbaatar, Mongólia.

Comida indiana-malaia: naan (pão) com molhos de curry e tandoori chicken - Kuala Lumpur, Malásia.

Comida indiana-malaia: naan (pão) com molhos de curry e tandoori chicken – Kuala Lumpur, Malásia.

Quanto à higiene, nunca tivemos (nem eu nem o Evandro) nenhum problema relacionado à comida. Claro que uma dor de barriga aqui e ali é normal e inevitável, pois os temperos são diferentes do que estamos acostumados e o tratamento da água usada para cozinhar também é diferente. Fora isso, felizmente não tivemos intoxicação alimentar em nenhum dos países que visitamos, e não foi porque éramos cuidadosos e só comíamos em restaurantes não.

Espetinho de rua - Hanoi, Vietnã.

Espetinho de rua – Hanoi, Vietnã.

Na Ásia a melhor comida é sem dúvida a de rua, e fazíamos grande parte das refeições assim, experimentando coisas de barraquinhas, seguindo o povo local, indo atrás do que eles estavam comendo, e não tivemos problemas com isso. Claro que a higiene dos asiáticos não se compara à nossa. Nós, brasileiros, somos bastante rígidos quanto à limpeza em comparação a outros lugares do mundo, mas ao mesmo tempo, não achei a Ásia mais suja que a Europa por exemplo.

Restaurante na rua em PingYao, China.

Restaurante na rua em PingYao, China.

Acho que a impressão que a maioria das pessoas têm de que os asiáticos são sujos vem do fato de que a comida é preparada na rua, ou que eles comem coisas esquisitas (tipo insetos e cachorros), mas na realidade eles são bastante cuidadosos com a higiene; para comer, todos lavam as mãos antes e depois; e nada do que eles comem é tão exótico quanto as pessoas imaginam.

Sorvete de coco dentro do coco - Bangkok, Tailândia.

Sorvete de coco  – Bangkok, Tailândia.

De todos os países que fomos, não vimos sequer uma vez alguém comendo carne de cachorro ou um espetinho de barata… como eu disse, a culinária asiática se baseia principalmente em arroz, macarrão e vegetais, ou seja, nada de estranho aí, não é mesmo?

Sopa de noodles de arroz e acelga - Hong Kong.

Sopa de noodles de arroz e acelga – Hong Kong.

Almoço em Hangzhou, China.

Almoço em Hangzhou, China.

Os asiáticos comem no café da manhã o mesmo tipo de comida do almoço ou da janta, ou seja, arroz, macarrão, sopa ou algo do tipo, o que é bem esquisito para nós que estamos só acostumados com um pãozinho, frutas e café. Apesar de gostarmos fazer as mesmas coisas que os locais fazem, isso já era demais. Então, no café da manhã, sempre pedíamos a opção ocidental, que geralmente era panquecas estilo americanas, torradas, ovos mexidos, suco e café.

Café da manhã caprichado em Phnom Penh, Camboja.

Café da manhã caprichado em Phnom Penh, Camboja.

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Ásia: impressões gerais

Ainda não conheço a África (apenas o Marrocos) e o Oriente Médio (apenas a Turquia), então posso dizer que a Ásia me proporcionou o maior choque cultural até agora de todos os lugares em que já fui. Mas, pelo fato de ter visitado 9 países asiáticos (Mongólia, China, Hong Kong, Macau, Vietnã, Camboja, Tailândia, Malásia e Singapura) e de estar morando em um deles (Malásia) há 4 meses, muitas das coisas que me chocaram assim que entrei na Ásia já nem reparo mais.

Apesar de os países serem muito diferentes uns dos outros, posso dizer que na Ásia, em geral, o que chama mais a atenção é a quantidade de pessoas por todo lado e a consequente “muvuca” em qualquer lugar que você vá. Organização, faixa de pedestres e esperar a sua vez são coisas que não existem neste continente (com algumas exceções).

Repare na pessoa tentando atravessar a rua em Hanoi, Vietnã.

Vindo da Europa principalmente, podemos achar que os asiáticos são rudes, mal-educados, ou que não têm respeito e consideração pelos outros, mas a verdade é que isso é apenas uma questão de costume e cultura. Como tem realmente MUITA gente em tudo que é canto, vale a lei do mais forte.

Quantidade básica de pessoas em Hong Kong.

Quantidade básica de pessoas em Hong Kong.

Então, geralmente, as pessoas não esperam os passageiros desembarcarem do trem/metrô para começarem a embarcar; muitos furam fila na cara-dura; sinais de trânsito não valem pra muita coisa, faixa de pedestres então… esqueça!

Motos andando na calçada em Nanning, China.

Motos andando na calçada em Nanning, China.

A noção de espaço também é bastante deficiente. Enquanto na Europa (não todos os países, é claro) ou nos Estados Unidos, quando alguém esbarra sem querer em você, a pessoa logo te pede desculpas, na Ásia os empurrões, pisões no pé, gente cortando a sua frente, gente encostando em você no metrô e gente te encarando e reparando em tudo o que você faz são coisas corriqueiras, e com o tempo você para de se importar (tanto) com isso.

Qual é o sentido da rua, afinal? - Hanoi, Vietnã.

Qual é o sentido da rua, afinal? – Hanoi, Vietnã.

Na verdade, essa “muvuca”, pra mim pelo menos, faz parte do charme da Ásia e do seu povo. Não consigo imaginar o Vietnã sem aquelas mil e trocentas motos cruzando na sua frente; ou a China sem nenhum vuco-vuco sequer; ou a Tailândia e o Camboja sem aquela quantidade assustadora de tuk-tuks indo para todas as direções; ou caminhar por Hong Kong sem precisar desviar de ninguém… realmente, o simples fato de caminhar na Ásia já é um desafio por si só, mas é um desafio divertidíssimo e que vale muito a pena experienciar ao menos uma vez na vida.

Tuk-tuks em Siem Reap, Camboja.

Tuk-tuks em Siem Reap, Camboja.

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